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Aventuras & Loucuras: Viagens Aventureiras e Desafios Doidos.

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“Uma parte de mim
pesa, pondera; outra parte delira…”

(Ferreira Gullar)

Um lado de mim quer paz, tranquilidade. Planejamento e pé no chão. “Não tenho porque enfrentar nada, nem muito menos os meus medos. Pra que essa besteira? Provar o quê, porquê e pra quem?”.

Outro lado quer guerra, guerra comigo mesmo. “Vou ou não vou? Não posso perder do meu medo, não posso desisitir assim…”

Então é desse meu lado que me desafia, que quase delira, que vou falar agora…

Das minhas tantas viagens, algumas foram de aventura total ou tiveram alguma pequena aventura pelo meio… Mas, não tento vencer desafios só em viagens não… As vezes faço isso por aqui mesmo. Nem vou falar dos profissionais, e vou me ater só as aventuras em viagens ou aventuras da minha cabeça… Quero dizer com isso que pra mim uma coisa pode ser uma tremenda aventura e ser apenas uma coisa “besta” pra outra pessoa…

E nem vou falar em coisas de quando eu era criança ou adolescente, porque naquele época eu não tinha medo de nada, como pular de pontes, de barcos, de trampolins altos, nadar até não sei onde, e correr em carros como se tivesse em corridas ou até achar bom tá dentro deles quando davam “cavalo de pau”…

Vamos lá falar sobre algumas aventuras na minha fase adulta…

Mergulho em Fernando Noronha

Em 1996, fomos eu, meu filhote Marcel (Daniel tava nos EUA), meu irmão João e seus dois filhos à Fernando de Noronha. A viagem por si só já era uma aventura pra mim, pois por mais que eu viaje, sempre tenho um pouco de medo de voar, e lá fomos nós num pequeno avião de hélice.

Pra começo de história, Gabriel meu sobrinho mais velho, ao ver o avião, resolveu “fazer medo” ao irmão Felipe, com frases do tipo “coitado desse piloto, é a última vez que vai voar”, ou “Felipe, tome essa água que será sua última”. O pobre do Felipe foi chorando até lá. E,mal sabe Gabriel que as gracinhas dele também me afetaram, e o pior era que não podia demonstrar nada ao meu filhote Marcel…

Bom, passado o vôo, outras aventuras marcaram nossa presença na Ilha, como passeios de buggy (espécie de jeep aberto), nados com golfinhos e até com pequenos tubarões “à vista”…

Eu e Marcel em Fernando de Noronha. No barco, nos preparando para o mergulho: Ainda nas aulas teóricas.

 Mas, o grande lance foi o tal batismo de mergulho com cilindro e todos aqueles equipamentos pesados. Depois de uma aula teórica, já no próprio barco, começamos a nos vestir pro tal mergulho. Nessa hora, pensei e falei alto: “vou mais não”. Aí Marcel me olha nos olhos e diz com uma cara bem séria e cobradora, quase plagiando uma frase que eu costumava dizer: “Mamãe, você não vai nem tentar?”.

Depois dessa, eu fui, claro. Éramos três de cada vez a mergulhar, cada um com seu instrutor. Eu, Marcel e uma moça de SP. Eles dois, nadando numa boa, com seus respectivos instrutores só ali por perto. Eu, literalmente “dura”, agarrada ao meu instrutor. Depois vendo o filme, ri e pensei “que rídiculo!”. Mas fui, oras!

E claro que valeu a pena! Afinal ver a beleza do fundo do mar, com seus peixes coloridos, tartarugas, algas, corais… Enfim, tudo muito lindo! Até esqueci o medo, o qual só voltou quando depois de uma meia hora resolvi olhar pra cima e vi que tinha um mundão de água acima de mim. Ai,  meu Deus!

Rodas Gigantes

Quande eu era pequena, adorava. Não sei quando passei a ter medo. Acho que certa vez, com meus meninos pequenos, num desses parques “vagabundos” em um veraneio na Praia de Pirangi.

A Roda parou lá em cima, e os dois começaram a ficar de joelhos. De joelhos e olhando pra trás,  muito natural pros dois que ainda conversavam entre si. Aí, a tal cadeira começa a balançar. Pedi pra eles pararem com aquilo, mas nada. Daí resolvi apelar pro escândalo, coisa que homem odeia mesmo sendo criança. Comecei a gritar bem alto “Ei, meu senhor, baixe essa cadeira, rode logo essa Roda, rápidoooooo!”. Lógico, que os meninos se aquietaram…

Em 2008 andando em Paris, Santiago queria que eu fosse com ele naquele Roda que tem no fim dos Jardins de Luxembrugo (acho que é por ali). Fui nada… Mas, pra apagar essa imagem de covardia, em 2011, eu mesma propus ir na London Eye em Londres. Mas, aí foi tranquilo porque em vez de cadeiras, eram cabines todas fechadas…. O fato era que eu não sabia que seria tão “fácil”, então valeu meu desafio à mim mesma!

Na London Eye.

Helicóptero em New York

Depois de me negar veemente (quero dizer, quase aos gritos!) a fazer passeios de helicópteros a pedidos, implorações e insistências dos meus filhos, no Rio e mesmo em NYC em várias ocasiões e anos antes, em 2008, a proposta partiu de mim.

Estava lá com os dois, já “marmanjos” quando disse: “vamos fazer um passeio de helicóptero”. Me olharam espantados, mas logicamente aceitaram prontamente, e lá fomos nós! Fora umas curvas em que eu achava que ia cair (porque me colocaram na frente, e até o chão do “bicho” era de vidro), me comportei muito bem, me diverti e curti demais! Aventura aprovada e sujeita a repetições!

Eu, sobrevoando NYC.

A Pé pelo Caminho de Santiago

Essa aventura eu já contei em um livro, e parte dela nesse mesmo blog (ver aqui o Caminho de Santiago pela região da Galícia).

Valeu a pena, e já repeti, fazendo um novo trecho e subindo os Pirineus (veja aqui o Caminho pela região de Navarra, e mais detalhes aqui)! Adoro o contato com a natureza e esse tipo de aventura me fascina!

Eu no Caminho de Santiago.

De Bike pelo Sul da França e outras aventuras de pedal local

Também contei essa aventura no blog em diversos capítulos (um dos capítulos, já está em “Roteiros Temáticos: De Bike“). Foram seis dias, em torno de 350 km, num “tour” de bicicleta pelo Canal du Midi no sul da França. Contei esse passeio em seis textos, mais alguns textos que antecederam a pedalada e outros relatos dos dias pós pedal! Veja aqui.

Eu, no sul da França (Canal du Midi)

Outras trilhas aqui no RN também fizeram parte do meu lado aventureiro. Não falo nem de passeios em asfalto, que apesar de mais fáceis, desafiei a mim mesma quando comprei uma bike em 2006 (incentivada por San), e passei a pedalar em alguns fins de semana. Comecei pelas ruas da cidade, mas logo no segundo pedal já tava indo até Pium e voltando (cerca de 40 km). Depois chegando a fazer até mais de 60 km por dia, nesse calor infernal que enfrentamos em nossa cidade e arredores. E olhem que minhas últimas pedaladas tinham sido quando eu era adolescente…

Algumas trilhas que considero mais difíceis (pois não tenho experiência com “areia frouxa” e meu problema de coluna pode ser agravado em situações de desequilíbrio)  foram enfrentadas por mim, junto com San, com meu mano Carito e minha cunhada Joane. Trilhas essas, em interiores ou praias do RN como Barra do Cunhaú, Pipa, Sibaúma, Mata Estrela, Nizia Floresta, Genipabu, Pitangui, Baía Formosa, Ponta do Mel…

Numa dessas aventuras, chegamos a pedalar quase o dia inteiro, andando por matas com raízes e areia frouxa, empurramos a bike por uns três quilômetros em areia totalmente solta (que até pra andar era sofrido) e ainda pedalamos pela beira da praia com maré enchendo,  quase afundando os pneus de nossas bikes… E cada um um a dizer, “depois daquela curva, chegaremos em tal lugar”, e nada… Nesse dia foi “punk”!

Conclusão: Prefiro pedalar no plano, de preferência em locais com sombra (como na França, hehehe). Como aqui não é a França, de vez em quando continuo enfrentando algumas ladeiras e o sol causticante, como diria meu pai!

De Balão no Napa Valley, Califórnia

Essa foi outra aventura descrita no meu blog anteriormente (ainda tá no blog antigo, clique aqui). Foi lindo, e nessa não tive medo nenhum. Nem antes e nem durante. Mesmo sabendo que o balonista só tem o controle do balão na vertical e que o resto depende do vento… Mas, foi tudo uma calmaria total e muito bonito. Paisagem magnífica, voando sobre os vinhedos, vendo montanhas, tudo lindo. Adorei!

O único momento que tive um susto foi na descida, pois como descemos em asfalto o impacto foi bastante forte, e apesar de preparados, pensei: “lascou-se tudo, agora que minhas costas se acabaram de vez”!

O balão enchendo, e eu na espera…


Lancha “maluca” nos parrachos de Perobas e outra aventura marítima

Adoro passear de barco, qualquer que seja o tipo. Lancha, veleiro, navio… A água sempre me atraiu! Principalmente pra olhar, curtir, e em especial passear sobre ela. Por isso mesmo, nunca pensei que estava embarcando numa aventura, quando num fim de semana/feriado de Páscoa, resolvemos pegar uma lancha que ia até os “parrachos” dessa dita praia de Perobas.

A tal lancha levava turistas, e embora eu não aprecie passeios com muita gente não tinha outra opção na hora. Fomos. O danado do piloto, foi com “mais de cem” num mar que tava com muita onda e vento. A cada ultrapassagem de onda parecia que a lancha ia voar, e eu achei que voaria junto. Entrei em pânico total, e o passeio se transformou num pesadelo.

Agarrada nas pernas de Santiago, dizia “ai meu Deus” e jurava que eu ia morrer, pois pensava que iria ser atirada pra fora da lancha, tamanha a velocidade e os saltos que a mesma dava! Fiquei com os braços todos doídos e San com as pernas roxas. Resultado: passei a ter medo de lanchas!

Nos parrachos de Perobas (fonte)

Nos parrachos de Perobas (fonte). Aí, tudo muito tranquilo, mas, até chegar lá…. Ondas e mais ondas!

Um parênteses: Alguns anos antes, tínhamos ido em Pipa a um passeio (que recomendo!) num pequeno barco de um cara local (“Galego”), super consciente da questão ecológica. Um passeio bem transado e ao mesmo termo “gourmet”. O lance era que o mesmo começava no mar. Nessa parte, o barco também ao ultrapassar as ondas parecia mais uma montanha russa.

Eu e San estávamos numa espécie de rede de pesca, nas laterais do barco. Cada um, numa. Nessas descidas das ondas também tive um medo danado, e só podia me agarrar com a própria rede… Mas, depois que o barco entrou no rio e na lagoa, tudo virou “flores”! Como diz o ditado “depois da tempestade, vem a bonança’!

O Barco de "Galego" em Pipa (mais informações do passeio aqui)

O Barco de “Galego” em Pipa (mais informações do passeio aqui)

Montanha Russa

Do mesmo jeito que o tal passeio de lancha, nunca pensei que teria medo de montanha russa. Fui uma única vez, e pra nunca mais!

Morava na Espanha, era fim dos anos 80. Entrei numa montanha russa como se tivesse indo passear num carrossel. No mesmo “carro” eu e Marcel que tinha apenas 4 ou 5 anos. Na primeira descida, pensei que ia morrer, e no meu pânico mandava o pobre do Marcel se abaixar e fechar os olhos, coisa que eu tava fazendo também. Foi horrível e tive pesadelos por uma semana!

Alguns anos depois, no Rio com meus filhotes um pouco maiorzinhos, fomos a um parque. E, quando eles viram a montanha russa, claro que quiseram ir. Eu, como uma boa mãe, entrei na fila com eles, mas num medo de dar “dó” a mim mesma.

Eis, que vejo na minha frente um cara com um filho! E, em cada cadeira cabiam quatro pessoas! Idéia: Pedi pro cara levar meus meninos! Ufa, me salvei dessa!

Escalando montanhas

A primeira montanha que escalei, foi uma serra pelos lados de Carnaúba dos Dantas, no interior do RN, em 2009. E eu pensava que iria fazer uma trilha plana. Tive medo, mais fui até o fim, onde mais da metade do pessoal desistiu antes do meio do caminho.

Num dado momento tínhamos que cruzar uma pedra larga, numa situação um tanto arriscada, e de “cócoras”. Os homens foram, e nós, as únicas três mulheres restantes, nos negamos em continuar sob alegação que “mulher não tem força de braço” etc. e tal. Eis que aparece uma cobra, e  segundos depois estávamos as três do lado de lá! Ou seja, conseguimos ir até o topo!

Outra montanha escalada e bem mais complicada foi a Pedra da Boca, na Paraíba, fronteira com o RN. Mais complicada porque é basicamente pedra, sem trilhas. Fui, em abril de 2012, achando que iria me dar bem. Lá pelo meio, as dificuldades aumentaram e comecei a entrar em pânico, parecido com o que tive na tal lancha maluca, coisa que contei antes.

Não conseguia sair do canto. Nem pra frente nem pra trás. Santiago e Gil (nosso guia e dono da pousada onde estávamos – Pousada Fulô da Pedra -), insistindo pra eu continuar e dizendo que era tranquilo. Pra eles entenderem meu medo, tive que dar uns gritos. Coisas de mulher pra fazer que os homens entendam nossas medos. E Gil ainda a dizer que eu tava fazendo “munganga”, “pantim”…

Finalmente, quando vi que não ia ter jeito, resolvi obedecê-los e fui literalmente puxada pelos dois por alguns (ou vários?) metros até a dificuldade diminuir. Mas, a cada novo aumento de dificuldade a mão de Santiago me levava, junto com a de Gil. Santo Santiago que aguenta minhas doidices e me acompanha nessas aventuras!

Eu, no meio da subida da Pedra da Boca. Ao fundo, Gil (nosso “guia”)

Eu e San, no caminho da Pedra…

“Voando” entre montanhas: Fantasticable

No carnaval de 2012 fomos pra região do Douro em Portugal. Nas minhas pesquisas vi que além das vinícolas, tinham alguns passeios legais pra fazer, como um num veleiro que foi fantástico. Falando em fantástico, vi também que tinha um  parque de aventuras (Pena Aventura) e nele um tal de “fantasticable” que era o maior da Europa. O Parque fica um pouco fora da região do Douro, já na região de “Trás-os-Montes” em Ribeira da Pena.

Meu espírito aventureiro a cada dia mais desfiador, propôs uma viagem nesse tal cabo, que consistia num “vôo” de quase dois quilômetros de distancia entre duas montanhas, a uma altura em torno de 150 metros e a uma velocidade que poderia chegar aos 130km/hora. Loucuras a parte, agendamos.

Lá chegando, só vi “boys” e apenas eu e San de “velhotes”. Pensei com meus botões: “vou mais não!”. Mas, em seguida pensei, que danado de desistência era aquela? Estaria com vergonha daquele povo jovem? Dane-se essa vergonha! Nos vestimos com a parafernália própria pro tal vôo e fomos de van até a montanha onde tudo começaria.

Na hora “h” quando me vi deitada e aquele mundão de árvores lá embaixo que parecia mais um buracão, eu tremi nas bases. Quando o cara disse pra eu tirar as mãos do chão e segurar no local devido, eu me senti totalmente insegura e disse: “cara, vou desistir”. Ele tranquilamente falou que era seguro mas eu que decidia… E, eis que aparece na minha frente um outro cara o qual eu tinha trocado e-mails pedindo as informações. Em dois segundos ele me acalmou e decidi ir em frente!

Um dos melhores passeios de  minha vida! Foi como voar sem asas, ver tudo lá de cima, a beleza da mata, das estradas, e sentir uma liberdade sem tamanho! Não deu tempo de sentir medo algum! Só curti! E já penso em ir de novo! Alguém sabe onde tem outro por aqui?

O Fantasticable

Pesca e “surf” numa catraia

Lembrei de outra aventura. Santiago foi pescar em alto mar e fui junto. Num daqueles barcos típicos de pescadores, em Ponta do Mel, uma linda praia do RN, que fica perto de Mossoró, onde “o sertão encontra o mar”.

Passeio maravilhoso, pescaria ótima, com direito a comer peixinho fresco frito no próprio barco pelos próprios pescadores nativos…  Lá pras tantas, já na volta, vi que tinha uma catraia (espécie de uma jangada bem pequena e rústica) amarrada ao barco e um dos pescadores resolveu ir nela. Olhei aquilo e pensei: “também quero ir”. E lá fui eu surfando na tal catraia em pleno marzão…

Eu e San na catraia puxada pelo barco…

Nas Dunas de 4X4

De buggy, pelas dunas nas praias potiguares, eu já havia ido há muitos anos atrás e sem medo nenhum. Com o passar do tempo, em algumas coisas nosso espirito envelhece e em outras rejuvenesce. Acho que o motivo é o mesmo: responsabilidade, que paradoxalmente gera o medo de morrer e a vontade de viver experimentando novas coisas.

Um Buggy passando pelas dunas de Genipabu, RN

Nos últimos anos, em passeios organizados com pessoal que tem Land Rover, seja dos tipos mais “hards” ou dos mais sofisticados, recomecei a passear de novo pelas dunas de nossas praias, com San na direção. Em que pese ele ser um exímio motorista, eu não gosto nada das descidas. Das subidas ainda enfrento bem, mas a cada descida, fecho os olhos e grito pra danado. Gosto muito não, viu?

Land Rover(s) nos passeios pelas dunas…

 Prefiro meus pés, minha bike e até “voar” pelos ares…

 

…”Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
– que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?”

(Ferreira Gullar)

 

 

 

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