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Buenos Aires: Viejos y Nuevos Aires

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… “a segunda maior área metropolitana da América do Sul, depois de São Paulo… Centro cultural de maior importância da Argentina e um dos principais da América Latina. A importante oferta cultural encontra-se representada na grande quantidade de museusteatros e bibliotecas, sendo alguns deles os mais representativos do país. Também se destaca a atividade acadêmica, já que algumas das universidades mais importantes da Argentina têm sua sede em Buenos Aires. Deve destacar-se que a cidade foi eleita pela UNESCO como Cidade do Design em 2005” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Buenos_Aires)

Em Buenos Aires, con mucho gusto!

A primeira vez que fui a Buenos Aires tinha dezessete anos. Fui com meus pais e meu irmão, o mais velho de los chicos. Saímos do Rio (onde moravam três tias, irmãs de meu pai, e quatro primos) numa excursão da extinta Soletur!

Até chegar a capital argentina, passamos por Blumenau, Gramado, Canela, Montevidéu e Punta del Leste. As lembranças que tenho dessa época são todas relacionadas ao turismo comum, ou seja, aqueles pontos turísticos que todos “têm que ir”.

Ma,s lembro de uma travessia de barco, desde o Uruguai, e umas tantas coisas engraçadas “da família” nessa tal viagem, que daria pra virar “causos”.

Uma delas foi que meu irmão, andando, distraído ou desligado, atravessou uma porta de vidro do hotel (não é engraçado, mas que é um “causo” é, né?). Ou seja, literalmente passou de um lado ao outro, pensando que ali não havia nada, ou que a porta estava aberta, sei lá… Naquela época, meu pai teve que pagar a porta ao hotel. Se fosse hoje, a gente é que iria receber uma boa indenização por não haver sinalização na tal porta. Ainda bem que não aconteceu nada com meu irmão e ficou por isso mesmo…

Outra vez, eu e meu “mano”, que dormíamos no mesmo apartamento do hotel, dormimos demais e a excursão inteira a esperar por a gente. Ligaram mil vezes, tocaram a campainha, bateram na porta e nada. Sono de adolescente é assim mesmo. Quem dera eu ainda tivesse uns sonos profundos desses! Pois bem, resolveram abrir a porta com a chave “mestra” e lá estávamos os dois a dormir tranquilamente. Levamos um “carão” do guia, mas como tudo passa, a viagem continuou numa boa…

Pra completar tinha uma coisa engraçada e legal ao mesmo tempo. Meu pai gostava de cantar. E, de vez em quando no ônibus, lá ia ele lá pra frente e cantava. Se em algum restaurante tivesse alguma banda (naquele tempo era “conjunto”!) tocando, ele também se “atrevia” e ia até lá. Cantava feliz suas músicas preferidas como “A Volta do Boêmio”, “A Rosa” e “Fita Amarela”, entre tantas outras de Pixinguinha, Nelson Gonçalves, Noel Rosa…

Aqui um parênteses meio conclusivo (se é que isso existe): Hoje em dia não tolero essas excursões. Um monte de gente desconhecida e um guia com uma sobrinha (?) na mão pra poder ser visto, uns programas iguais e muitas vezes cansativos, uns restaurantes programados pra turistas, ufa!!! Prefiro ir só, com amigos, com filhos, com mi marido

Mas naquela época, era assim na maioria dos casos e foi legal com minha família junto! Fui em uma outra excursão, tempos depois, para a antiga União Soviética! Pra lá, naquele tempo, não tinha outro jeito de ser diferente… foi também legal, mas isso já é outra história…

Plaza de Mayo e Casa Rosada ao fundo.

Buenos Aires,  uns vinte anos depois…

Depois dessa primeira vez, demorei a voltar por lá. A Europa esteve em minhas prioridades de viagens, e também os EUA… Da América do Sul, ainda fui antes ao Chile e dei uma passada rápida na Colômbia e Panamá numa de minhas idas à Cuba…

Bom, mas esses tantos anos depois, programei passar um aniversário meu em Buenos Aires com San. O trabalho dele terminou “atrapalhando” nossos planos e ele transferiu a passagem para sua irmã Adriana. Assim, fomos nós duas. Eu, pra relembra (ou reconhecer), e ela pra conhecer a capital porteña!

Ficamos num hotel bem central, pertinho da Florida e fizemos tudo que os turistas fazem. Vale a pena citar o hotel como uma dica (quartos pequenos, mas, com charme, e de lá se pode andar a pé pra maioria dos lugares): Hotel Rochester Concept.

Andamos pela Florida “pra cima e pra baixo”, fomos no shopping “Galerias Pacífico”, na Plaza de Mayo, Casa Rosada, Obelisco, etc e tal. Todo esse centro histórico… E, no Café Tortoni, claro! Na verdade, lá íamos todos os dias, éramos quase “freguesas”! Ô comidinha boa! E os drinks? E os cafés? E os chocolates calientes com churros? yummmmmmy… água na boca!

Adriana, minha cunhada, numa performance no Tortoni… rsrss

Num domingo, fomos na feira de San Telmo, sentamos por lá e tomamos um café vendo o movimento, e depois também nos movimentamos pela feira… Fomos também ao Caminito, é claro! Escolhemos um bar legal e atrevidamente nos sentamos do lado de fora (fazia um frio!) e tomamos um vinho a “mirar” as pessoas indo e vindo… Um tango aqui, outro acolá… 

Vinhozinho bom!

Falando em tango, assistimos um desses shows  num teatro bem bonito. Os shows, devem ser todos parecidos, mas gostei da beleza do antigo teatro. Não era nenhum desses shows mais famosos como o tal do “Señor Tango” mas aposto que não ficava nada a dever.  O jantar normalzinho, nada demais, nada de menos… Fica a dica: Piazzola Tango no Teatro Astor Piazzolla (Calle Florida 165 / San Martín 170 – Galería Güemes).

O Teatro…

Pra concluir nosso “tour” fomos jantar em Puerto Madeiro. Dos milhares de restaurantes lá existentes, escolhemos o “Marcelo” um italiano muito bom! (Endereço: Alicia Moreau de Justo, Av. 1140; site).

Mas, antes de irmos jantar, fomos no tal cassino flutuante.

Adriana adora um joguinho, e lá fomos nós. Eu não gosto nada de cassinos e nem de jogos, mas temos que fazer algumas concessões em viagens com amigos, imagine com a cunhada!

Ah! Quase esquecia de uma coisa hilária que antecedeu o “jogo perdido”. Pegamos um táxi para o cassino e o táxi não tinha nenhuma identificação. Mas, o pessoal do hotel disse que era assim mesmo, que dias de muito movimento havia esses tipos de táxi, que era normal, etc. e tal. O motorista já meio velho, cantarolava sem parar. Perguntamos qual seria o preço e ele nem aí… Depois falou algo como uns tantos dólares (coisa cara…). Mas ria… A gente meio sismada com o motorista, pero

Seguimos, sempre tentando fazer que ele entendesse que sabíamos onde era o cassino pra ele não nos enrolar… Enfim, chegamos e foi tão barato que ficamos com cara de “besta” e com sentimento de culpa por achar que o viejo porteño era um “enrolão”. Que nada, era um argentino alegre… E, o que pagamos não dava nem pra pagar a cantoria dele…

…e eu, feliz da vida em B. Aires!

Outra vez em Buenos Aires…

Combinamos passar o Reveillon 2008/2009 num cruzeiro. Destino: Rio. Saída? Buenos Aires! Assim, aproveitamos a oportunidade perdida no ano anterior de irmos juntos à capital argentina, eu e San! Fomos com mais um casal amigo.

Mês de dezembro, os hotéis lotados, não nos restou nenhuma opção perto do centro pra podermos andar a pé… Mas, ficamos num ótimo hotel “five stars” (Abasto Plaza Hotel) em frente ao shopping Abasto, antigo mercado, tido como o mais importante da América Latina, naquela época.

Repetimos todo o tour tradicional. Muito táxi e pouco a pé… Mas o hotel era meio longe,enfim… Plaza de Mayo, Casa Rosada, Calle Florida, San Telmo, Caminito… Desta vez, fomos também a Palermo Soho* e Recoleta.

*Palermo é um dos maiores bairros da cidade, e é tradicionalmente dividido em Palermo Viejo, Palermo Hollywood (onde ficam os estúdios de televisão) e Palermo Soho (porque tem tudo a ver com o SoHo original de New York!). 

Caminito…

Feira de San Telmo…

De compras em Palermo Soho…

Quanto a Recoleta, apesar de ser reconhecido em todo o mundo pelo seu cemitério, não fizemos tal “tour”. Não gosto nada de cemitérios, em especial desse tipo. Se fosse pelo menos daqueles cemitérios bucólicos, que vemos ao lado das igrejas inglesas… Enfim, fomos sim aos bares, também famosos!**

** “Curiosamente, Recoleta é também a zona de maior concentração de opções para o lazer dos jovens da cidade. Destaca-se a elegância e o valor arquitetônico de muitos dos prédios de estilo clássico”. 

Entre restaurantes ou bares e cafés, fomos no Tortoni (claro!), numa “churrascaria” que não lembro o nome, e outra vez ao Marcelo em Puerto Madero! Fora isso, um tradicional restaurante-bar em Caminito (Nonno Babicha), onde vimos apresentações de tango “grátis”, melhor que shows de duas horas e, que no fundo, as vezes cansam…).

Tango  outras danças argentinas no Nonno Babicha…

No dia dessa tal churrascaria, comemos tanto que resolvemos voltar a pé para o hotel. Mais de uma hora e meia caminhando… Isso porque já tínhamos ido ao Tortoni, mas nosso amigo gaúcho não resistiu a visão das carnes nos espetos, e lá fomos nós nessa onda de comilança…

No Tortoni

San e nosso amigo gaúcho, Cassol, em frente as carnes nas brasas…

Quando chegamos no hotel, Santiago percebeu que tinha perdido seu boné. Como era um boné de um estilo que ele “amava”, saiu no outro dia caminhando e correndo pelas ruas (horas!) até chegar num bar vizinho ao Tortoni, onde percebemos pelas fotos que ali ele tinha deixado seu boné… Maluquices à parte, foi uma boa atividade física, porque o boné nunca foi achado…

Na mesa, o boné aí perdido…

Dias depois, pegamos o cruzeiro onde passamos o reveillon… O navio Costa Romântica. Aí já é outra história!

Um sorvete no Freddo também faz parte!

E a fama dos Porteños?

Fama é uma coisa danada. Se você escreve no google algo sobre essa fama de arrogância, antipatia e “sei lá mais o quê” dos porteños, vai aparecer muita coisa. Mas, a gente sabe que em todo lugar tem gente legal e gente que não é! Faz parte!

Ah, mas não posso esquecer de contar o que aconteceu comigo (pelo menos duas coisinhas, vou contar). Uma quando tentamos comprar uma carteira de dinheiro. Pedi um “billetero”, e como morei na Espanha, falo espanhol castellano (pelo menos tento). E, que me perdoem os porteños, mas não gosto quando falam Calle de “caje” em vez de “calhe”, e paella de “paeja” em vez de paelha”, etc e tal. Esse som do “ll” que os espanhóis falam como se fosse um “lh” pra nós brasileiros, e os argentinos falam como se fosse nosso “j”…

Pra encurtar a história, o vendedor se fazia de doido e não me entendia. Lá pras tantas disse; “Ah, bijetero!” Aí eu já estava ficando chateada e disse: No, “bijetero” no! billetero! (bilhetero), e saí danada da vida…

Outra: Estávamos num bar em Recoleta (escolhemos a terraça, e como todas por ali, com seu charme especial)…  Nossa amiga pediu uma taça de vinho, e perguntou se era bom aquele vinho, etc e tal… O “simpático” garçom porteño disse que “não sabia porque nunca tinha provado e mais: que se quisesse um bom vinho que pedisse em botella…  Antes que eu me chateasse mais, “me mandei” do bar…

É, Buenos Aires é ótima, charmosa, bonita, elegante… Mas, aconteceu essas coisitas... Sem querer generalizar, claro… Juntando a fama com alguns fatos como esses descritos, deu essa “zebra”. Mas, conhecemos gente legal, claro! Tem um ditado que diz “cria fama e deita-te na cama”, ôps

E pra finalizar: O Tango Eletrônico!

Acho muito legal o tango! A me, me gusta mucho!

Pois, fora o tradicional, uns anos atrás me deparei, fazendo spinning, com uma música fantástica de uma banda maravilhosa: Gotan Project! . Fiquei fã!

Gotan Projetc

Depois, meu filho mais velho me apresentou outras duas “menos populares” na época, mas ótimas: Bajo Fondo e Otros Aires!

Gostei! Os ares novos se juntando aos velhos! Deu uma boa combinação! Quer escutar? Ver um vídeo? Veja aqui e aqui!

 Bons Ares, Buenos Aires: Viejos y Nuevos Aires!


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Engenheira por formação, fez doutorado em Madrid onde começou sua paixão pela Europa. Aprendeu, com seus pais, desde criança a gostar de viajar. Adora viajar e diz que "sem viajar não me reconheço"! Escreve sobre suas viagens pelo mundo afora de forma divertida e leve. Escritora por hobby, além desse blog tem dois livros de viagens publicados.

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