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Caminho de Santiago: De Pamplona a Puente de la Reina – Etapa 4

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Dia 4) De Pamplona a Puente de la Reina

03 de junho. Era dia de meu aniversário. Café da manhã muito bom no hotel, rituais cumpridos, saímos pelo centro de Pamplona ainda deserto. Ainda fazia um pouco de frio, mas não chovia, e o sol se mostrava disposto a ficar. Tirei a capa de chuva da mochila, mas ainda vesti meu casaco…

Ao sair do centro, cruzamos uma Pamplona com muitos parques, muitas áreas verdes. Andamos bastante até sair da cidade e encontrar quase “colada” a ela uma outra cidade pequena, onde soube depois, muitos peregrinos preferiam pernoitar.

Saindo de Pamplona…

Lá, nessa outra cidade (Cizur Menor), tomamos um café e fomos numa farmácia comprar ataduras e pomadas pro joelho de San, que desde o primeiro dia tava dando sinais de chatice. Meus pés tampouco andavam muito bem, mas eu já tinha trazido desde o Brasil todos os medicamentos e apetrechos necessários para melhoria dos mesmos, que de pouco serviam após mais de três horas de caminhada.

Quase todo dia, depois de 4, 5 ou 6 horas de caminhada (às vezes até antes, dependendo da geografia do terreno) meus pés ficavam muito chateados e resolviam se vingar me causando toda espécie de dor. Nas duas últimas horas de caminhada diária, então, eles se rebelavam completamente. Fazer o que, senão seguir? Umas paradas, uns alongamentos, um “tira e bota” de botas e meias, e assim ia…  A sorte era que ao chegar no destino eles paravam de reclamar e não havia mais dores. Sorte mesmo!

A coluna também dava alguns sinais desagradáveis… Também pudera, era muita subida íngreme pra minha lombar já um tanto deteriorada. Mas, seguimos assim mesmo, alegres em cada começo, parando em cada meio pra descansar e alongar, e doloridos e cansados em cada trecho final. Nada que um bom banho, uma boa cama e um bom restaurante não resolvesse!

Deixando de lado esses pés, joelhos e coluna, vamos contar o que interessa.

No começo bosques…

Continuamos nosso caminho em direção à nossa cidade destino daquele dia: Puente de la Reina. Como já tinha dito em um dos primeiros  textos, ao ler o livro “O Enigma de Compostela” já fiquei doida pra conhecer Puente de la Reina, uma cidade medieval, onde convergem as duas rotas principais do Caminho Francês de Santiago de Compostela (dos que veem desde St. Jean – ou desde Roncesvalles – e daqueles que vêm desde Jaca/Somport, unificando o caminho navarro e o aragonês).

A ponte tem também uma história. Mandada construir pela rainha Doña Mayor, esposa de Sancho el Mayor, no século XI, é uma ponte românica sobre o rio Arga, muito linda. É um dos exemplos mais belos a arquitetura românica no Caminho para Santiago e é o que dá o seu nome a esta cidade de apenas 2.500 habitantes.

Bom, deixando de lado um pouco a História, voltemos para a nossa caminhada.

Depois, uma etapa meio árida, sem árvores pra fazer sombra…

O sol começou a esquentar e os casacos (que eram do tipo “corta-vento” e impermeáveis) começaram a ser guardados nas mochilas.

Dos lugares por onde passamos:

Nesse dia, com um trecho de uns 24 km a caminhar, passamos por alguns pueblos e locais como: Cizur Menor (onde paramos na farmácia que falei antes),  Zariquiegue e o Alto del Perdón (Parque eólico com um conjunto de esculturas de peregrinos, e de onde avista-se parte de Pamplona e dos Pirineus). Conta a lenda que o diabo ofereceu água da fonte de Teja em troca do peregrino renegar Deus, nesse ponto. Mas o peregrino não renegou, claro. Pensei que seria legal passar no Alto do Perdão no dia do meu niver. Seria perdoada por algumas coisas, né? Um bom presente!

Passamos ainda por Uterga (com uma trilha cheia de pedras) e Muruzábal.

Subindo sempre…

Em direção ao Alto do Perdão

San no Alto do Perdão!

Lá, no Alto, fiz uns alongamentos e admirei a bela paisagem. Descansamos um pouco antes de começar a descida. A descida do Alto do Perdão é difícil, o terreno tem muitas pedras soltas e o risco de escorregar é grande, por isso é preciso usar sempre o cajado como apoio. Mas, deu pra ir tranquilamente, ou quase.

Na descida do Alto do Perdão…

Mochila “descansando” enquanto eu alongava, na tal descida…

Esqueci de dizer que havia um casal engraçado que de vez em quando a gente encontrava. Os dois eram gordos, mas a mulher era bem rápida. O homem, coitado, não aguentava grande coisa não. E, sempre estavam a pegar táxis pelo Caminho… Encontrei-os lá no Alto do Perdão, no meio de uma estradinha esperando passar algum táxi,  jejeje!

E sobre meu aniversário?

Bem, um dos bares legais que paramos foi antes do Alto do Perdão, em Zariquiegue, onde encontramos uma família americana do Texas. Viajavam juntos, pais e filhos, e já os havíamos visto em outros lugares…. Era um hotel e eles estavam hospedados lá, pois tinham decidido dar uma parada naquele dia. Fomos pro bar e fizemos nosso primeiro brinde de cumpleaños. Foi bem legal, tomamos vinho, comemos uns petiscos e depois me sentei nas cadeiras da calçada a comer uns biscoitos que comprei por lá…

Começando a comemorar meu niver… Em Zariquiegue.

 

Salud!

E quanto aos meus pés e minha coluna?

Desde o primeiro dia de caminhada que eu vinha trocando as palmilhas das botas. Um dia as novas palmilhas apropriadas para os meus pés, e noutro as da própria bota. E por que? Talvez eu não tenha tido muito tempo pra treinar com as novas, e se por um lado elas ajudavam (na planta dos pés), por outro pioravam no atrito lateral dos pés. Então, sempre começava indo bem, mas lá “pras tantas” os pés doíam, fossem embaixo ou nas laterais. Que saco! Pensei que estava pagando alguma penitência! Bom, nesse pensamento resolvi oferecer a penitência para que algumas pessoas de minha família sofressem menos, especialmente pra minha mãe ter uma velhice melhor. Assim, fui mais resignada.

Nesse dia, então, ao paramos num albergue pra fazer um lanche, resolvi trocar as botas pela sandália de caminhada (que tinha comprado em 2009 da outra vez que fiz o Caminho pela Galícia). Acho que foi a única vez que as usei, nesse ano de 2013. Em 2009 alternei bastante as sandálias com as botas, mas, dessa última vez, não me senti muito bem com elas. Meus pés deram uma piorada de 2009 pra cá, ou minhas botas dessa vez eram bem melhores, sei lá.

A coluna sofria um pouco com tantas subidas. Era de se esperar… Por isso as paradas para alongar eram tão importantes!

Paradinha num albergue em Uterga, pra lanchar e trocar as botas pelas sandálias…

Em frente à Prefeitura de Uterga…

Alongamentos pelo caminho…

E que mais?

Engraçado que no trecho da Galícia tinha muito mais bares, e portanto meu aniversário em 2009 foi bem mais celebrado com muitas paradinhas pra vinhos e cervejas! Nesse trecho, tinha menos bares, e até paramos em dois albergues, coisa que nunca havíamos feito antes. Mas, a cerveja tava gelada e tinha bons petiscos.

Pueblos do caminho…

Numa das últimas cidades que passamos, acho que Muruzábal, Santiago queria ainda tomar uns drinks pra comemorar mais meu cumple. Mas, eu já tava com meus pés gritando e quase grito também, pedindo pra continuarmos e chegarmos logo no destino, pois queria celebrar bem descansada! E, ainda tivemos que andar muito até chegar no nosso destino. Ufa!

Em Puente de La Reina

Chegando em Puente de la Reina já avistamos o primeiro hotel que iríamos ficar. Bonitinho, legalzinho, mas… Ainda bem que não ficamos  nele pois era muito longe do centro. Andamos um bocado até chegar ao centro histórico. E tava um calor danado!

Enfim, chegamos no nosso hotel que era super! Um hotel que faz parte do roteiro de charme e casas rurais, pequeno e agradável. Quartos maravilhosos, construído na própria muralha que antes servia de defesa a cidade. Na sala e recepção ainda se pode ver partes da muralha!

Nos alojamos, tomamos um bom banho e seguimos as indicações dos donos pro meu jantar de aniversário. Preferimos o restaurante mais simples, mais perto do hotel, e também o mais tradicional da cidade. Tudo muito bom! Feliz cumpleaños pra mim!

Em Puente de la Reina.
Acima: a Igreja do Crucifixo e a Igreja de Santiago.
No meio: a Praça Mayor e nós comemorando meu niver.
Abaixo: ainda comemoração do niver, a fachada do hotel (na muralha) e um trecho da rua principal.

Bom, no dia seguinte tomamos um belo café da manhã e partimos. Com sol, mas ainda um pouco frio, nos dirigimos para a famosa ponte e ficamos por lá ainda tirando umas fotos e admirando a paisagem. Muitos peregrinos já estavam pelas ruas… Antes mesmo de terminar de cruzar a ponte, o calor aumentou e tiramos nossos abrigos… Esse dia prometia ser um dia caloroso em todos os sentidos….

Imagens da nossa saída. O Pórtico, o rio, a Ponte…

Saindo pela Ponte…

E, em direção ao novo destino, fomos caminhando pelo 5º dia…

O Dia começando a esquentar…

A seguir, os posts dos demais dias de caminhada:

Dia 5) De Puente de la Reina a Estella

Dia 6) De Estella a Los Arcos

Dia 7) De Los Arcos a Logroño

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Engenheira por formação, fez doutorado em Madrid onde começou sua paixão pela Europa. Aprendeu, com seus pais, desde criança a gostar de viajar. Adora viajar e diz que "sem viajar não me reconheço"! Escreve sobre suas viagens pelo mundo afora de forma divertida e leve. Escritora por hobby, além desse blog tem dois livros de viagens publicados.

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