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Caminho de Santiago: De St. Jean Pied de Port a Roncesvalles – Etapa 1

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Continuo aqui a descrição de nossa aventura pelo Caminho de Santiago na região de Navarra…

A partir de agora, vou começar a contar o que aconteceu a cada dia do caminho. Um diário! Esse texto está dedicado ao primeiro dos sete dias que caminhamos, conforme já dissemos no texto anterior.

Dia 1) De St Jean Pied de Port a Roncesvalles

No nosso hotel de charme, acordamos cedo pra tentar tomar café num local que disseram que abriria as 6;30h, e conseguir sair cedinho para a travessia dos Pirineus debaixo de chuva. Café fechado, lá fomos nós com dois sandubas que tínhamos comprado na véspera.

Na Porta de Espanha, ponto de saída de St Jean para o Caminho, já encontramos vários peregrinos. A partir daí, fomos em direção ao trecho alternativo, como dissemos antes, pois o que queríamos ir estava “fechado” devido às chuvas.

Até certo ponto tudo parecia tranquilo e quase plano.

Vale ressaltar que essa é tida como a etapa mais difícil do Caminho de Santiago (O Caminho Francês que fizemos). Só lembrando, existem vários “Caminhos de Santiago”, como o Caminho Português, o Aragonês, e outros. Mas, dizem que o chamado Caminho Francês é o mais tradicional deles.

Passando por povoados antes das trilhas…

Bom, essa é uma etapa tremendamente dura, especialmente na parte francesa que fica continuamente em ascenso, com sinais pouco visíveis e em mal estado, e nada de fontes com água.  Entretanto, de uma beleza ímpar, com uma vegetação bela, destacando-se os carvalhos.

Voltando à nossa história. Ainda numa parte de asfalto em uma estradinha estreitinha, passando por uma zona de muito verde, encontramos um papagaio. Como assim? Isso mesmo, um papagaio que ia “perseguindo” uns peregrinos e pegando carona no ombro de alguns. Santiago resolveu se apresentar ao bicho, que resolveu usar o ombro dele como carona. Eu comecei a me estressar porque o tal papagaio, muito bonitinho e engraçadinho no começo, não queria nos deixar. E eu pensava o que iria fazer se ele fosse conosco até Roncesvalles… Enfim, depois de muito insistir pra Santiago “não dar corda a ele”, o brasileiro (?) papagaio resolveu voar sozinho e parou de nos acompanhar. Ufa…

O papagaio “de carona”!

Lá pras tantas encontramos um Mall com supermercado, lojas, etc. e tal.   Como pode, um Shopping Mall no Caminho de Santiago? Ficamos abismados, pois disseram que nada iriamos encontrar a não ser numa cidadezinha chamada Valcarlos. E já havíamos chegado em Valcarlos? Eram uns 12 km até lá e pelo que observamos só havíamos andado uns 7. Bom, entramos numa lanchonete do tal Mall onde já haviam alguns peregrinos tentando secar seus abrigos da chuva e comer algo.

Um Shopping?

Tomei um chocolate quente. San, umas cervejas, com uns novos “coleguinhas” peregrinos encontrados por lá.  Não comemos pois já havíamos mordiscado nossos enormes sandubas… Peguntamos que lugar era aquele, e ainda não era Valcarlos e sim Ventas . Quando já íamos embora, pasmem: Lá vinha o papagaio no ombro de outro peregrino! Essa foi boa!

Saindo desse local, passamos ainda pela fronteira da Espanha com a França. Um lugarzinho muito lindo. Paramos num bar e tomamos um conhaque pra nos aquecer do frio e da chuva. E, seguimos…

Barzinho onde tomamos um conhaque. Em frente um antigo posto de “Aduana” numa fronteira da França com a Espanha.

Continuamos nossa jornada e, pra completar, nos perdemos. Em vez de seguirmos pra um ponto x, continuamos em frente e lá estávamos perdidos. Perdidos depois de uma subida “danada”, Ufa! Bem que vimos uns peregrinos subindo uma ladeira do outro lado… Mas, conversa vai e conversa vem, nos desligamos… E, quando fazia já uma meia hora de caminhada “errada” resolvemos perguntar. Graças a Deus ia passando um pessoal num carro pela estreita e íngreme estradinha… Voltamos. Resultado: perdemos uma hora nessa brincadeira.

Andamos mais um pouco e começaram as verdadeiras trilhas, nos distanciando da carreteira. E o que era plano, que já nem era tanto assim,  começou a virar monte, montanha, sei lá…

Trilhas…

E, as subidas foram ficando cada vez mais íngremes…

Daí pra frente, tudo muito lindo, paisagens magníficas, mas só subida. Lindos pinheiros, lindos carvalhos, lindas árvores, Tudo muito verde, indescritivelmente belo! Rios, riachos cruzando nosso caminho. E mais nada, só o bosque, só a natureza!

A natureza dos Pirineus!

Os rios…

Rios cheios devido às chuvas…

Seria mais legal se não estivesse chovendo. Com isso, os tais riachos transbordavam e algumas vezes adentravam nas trilhas tornando-as perigosas, pois a força das águas virava algo como uma enxurrada, quase nos empurrando para o precipício. Ave Maria! Que medo!

Invasão dos riachos e lama das chuvas…

Os perigos…

Além disso, as subidas eram ainda mais cansativas com o barro e a lama… Muitas vezes parava pra admirar a paisagem, pois isso me dava um certo alento e um descanso. O caminho estava tão complicado que ou prestávamos atenção aos percalços ou à paisagem. Às duas coisas, era quase impossível e tínhamos que dar umas paradas estratégicas. Paradas essas, também pra comer o resto de nossos sandubas (que já estavam super duros, hehehe) e tomar água.

Natureza linda… e eu “amarmotada” com essas roupas pra me proteger das chuvas e do frio!

Bom, e não parava nunca de subir. A cada curva eu pensava: “depois dessa deve começar a descer”. E nada. Mais subida sempre. Lembrei de um blog que tinha lido onde o autor dizia que sempre que pensava que ia começar a descer, de novo era um  “toca a subir”… Ao final, esse trecho “montanhoso” (em torno de 27 km), que poderia ser feito em 8 ou 9 horas, fizemos em quase 11 horas (contando as paradinhas e o tempo em que nos perdemos) porque as chuvas e suas consequências deixaram as trilhas em um estado complicado.

Qual não foi minha alegria quando chegamos em Ibañeta, ponto mais alto do dia, e percebi que iriamos começar a descer. Muita névoa lá em cima, quase não enxergávamos nada. E muito, muito vento, e  forte! Vi que tinha uma igrejinha com o seu cemitério atrás.  Pensei que não ia dar pra ficar por ali tirando muitas fotos e era melhor começar a descida.

Em Ibañeta, com fog!

Minhas costas agradeceram a descida e pararam de reclamar. Meus pés, também já muito doídos, melhoraram um pouco na descida. Depois de umas 10 horas de subida, fizemos a descida em torno de meia hora. Cruzes!

A descida foi pela estrada e não mais por trilhas. Logo, avistamos Roncesvalles lá embaixo. Alegria e Alívio ao mesmo tempo! Ôba!

Chegando em Roncesvalles…

Em Roncesvalles

Ao chegar em Roncesvalles fomos direto para o nosso hotel.

Roncesvalles é uma vila super pequena. É mais um conjunto de casas com seu monumental conjunto histórico, que inclui o antigo monastério (hoje hotel e alojamento…) e a igreja.

Roncesvalles

Nosso hotel era bem legal conforme vimos no site. Quarto ótimo, grande e lindo. Tomamos um banho rápido, lavamos nossas roupas e as penduramos por onde deu, e descemos pra jantar.

O jantar obedecia a dois horários. Além dos hospedes do hotel, como a cidadezinha é super super pequena, o pessoal que fica no albergue também janta por lá, sendo um “jantar coletivo”. Escolhemos o primeiro horário pois estávamos “mortos de fome”. Dividimos a mesa com outros peregrinos de vários lugares do mundo (uma experiencia legal e inédita pra nós, pois sempre ficamos em hotéis e não em albergues, e portanto, não havíamos tido esse tipo de experiência em dividir mesa com muita gente desconhecida).

Comida boa, companhia agradável, ficamos ainda um pouco lá por baixo checando nossos Iphones (fotos, emails, etc. e tal).

Chovia muito e fazia frio; Não dava pra sair, pois além do mais as roupas de Santiago molharam-se quase todas durante a caminhada, e ele só tinha uma bermuda seca. Acho que a capa de chuva da mochila dele não estava muito bem colocada… Deixamos, então, pra conhecer o pequeno conjunto histórico no da seguinte, antes de partir pra segunda etapa.

E, sigam nos acompanhando…  Vamos contando, em outros textos, o que aconteceu em cada um dos outros dias, conforme etapas a seguir (clique nos dias):

Dia 2) De Roncesvalles a Zubiri

Dia 3) De Zubiri a Pamplona

Dia 4) De Pamplona a Puente de la Reina

Dia 5) De Puente de la Reina a Estella

Dia 6) De Estella a Los Arcos

Dia 7) De Los Arcos a Logroño

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Engenheira por formação, fez doutorado em Madrid onde começou sua paixão pela Europa. Aprendeu, com seus pais, desde criança a gostar de viajar. Adora viajar e diz que "sem viajar não me reconheço"! Escreve sobre suas viagens pelo mundo afora de forma divertida e leve. Escritora por hobby, além desse blog tem dois livros de viagens publicados.

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