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Madrid! Vámo nos que nos vamos! (1)

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PREÂMBULO

Madriz! Vámo nos que nos vamos!, é uma frase que tem em um quadro que comprei em Madrid hace muchos años e hoje em dia tá na minha sala de jantar… Madrid escrito com z mesmo… É a pronúncia do “d” que parece a “zeta” dos madrileñosVámo nos que nos vamos, acho que representa a verdadeira movida madrileña*!

*”La noche madrileña fue siempre muy activa no sólo por las salidas nocturnas de los jóvenes, sino a causa de un interés inusual en las llamadas culturas alternativas o underground. Todo ello había estado germinando desde los movimientos culturales juveniles que anteriormente, a través del bum turístico, habían llegado del resto de Europa en los sesenta y setenta y que, tras la caída de la dictadura y con el cambio de régimen, encontrarían ya un terreno abonado para desenvolverse completamente sin temor a las represiones y redadas anteriores. Fue parte del cambio y liberalización cultural e ideológica a que se abriría la gran mayoría de la sociedad española en general, incluyendo la participación política…” (http://es.wikipedia.org/wiki/Movida_madrile%C3%B1a)

ANOS VIVIDOS EM MADRID

A minha paixão por Madrid começou tão logo botei os pés naquela cidade pela primeira vez. Em setembro de 1986, fui fazer meu doutorado por lá. Sobre o doutorado, tudo bem, excelente, mas aqui quero me ater as maravilhas da cidade e o dia a dia por lá!

Mas, já que falei do doutorado, vou começar elogiando o prédio da Universidade. Me encantei com o lugar desde o primeiro dia. Antigo e majestoso, por fora e por dentro, parecia que eu tava num filme, numa outra época!

Cada dia que ia pra aula, ou ia pesquisar, era um prazer olhar o prédio do outro lado da rua, onde parava o autobus, ou da estação de metrô. Atravessava a Castellana me deliciando com a paisagem madrilenha de sua larga avenida e seus canteiros, acompanhada de seus belos prédios, entre eles “minha” Escuela de Ingenieros Industriales (ETSII) da Universidade Politécnica de Madrid!

O Prédio da "Escuela de Ingenieros Industriales"

O Prédio da “Escuela de Ingenieros Industriales”

Lá morei durante três anos. Calle Guatemala e arredores era meu principal mundo do dia a dia. Meus filhos, um com sete e outro com quatro anos, estudavam a dois quarteirões do nosso apartamento. Cinco minutinhos caminhando. Era uma rua tranquila mas que tinha tudo que queríamos por perto. E, paralela à uma outra rua tranquila perpendicular à nossa (a Calle Chile), estava uma avenida movimentada, a Príncipe de Vergara com comércio, bares, e até cinema.

Avenida Príncipe de Vergara

Onde moramos, na esquina da “Calle Chile” com a “Calle Guatemala”. Foto tirada “by me” em um de meus retornos a Madrid, nos anos 2000.

Na época o supermercado Jumbo estava a uns dois quarteirões (hoje é o Alcampo), e quase vizinho ao nosso ap., tiendas de frutas, de frios e de carne. Um parquinho para as crianças, onde se encontravam quase todo fim de tarde as mães do bairro e seus filhotes… Algumas pequenas “boutiques”… Estações de metrô e paradas de ônibus, tudo “logo ali”. Uma boa padaria no caminho da escola dos meninos… Falando nela, vale salientar que era uma escola pública e excelente.

A ROTINA MADRILEÑA

Cultura e Lazer

Além das opções de lazer em Madrid, especialmente os parques como o do Retiro, havia também as cidades “por perto”, onde podíamos ir nos fins de semana. Toledo, Segovia, Ávila, Aranjuez, Chinchón, entre outras. Era “uma banho” de conhecimento e diversão!

Toledo (foto tirada em 2007, em um de meus retornos a Espanha)

Eu, muitas vezes andava só pelas ruas do centro, apenas curtindo a história viva, seus prédios, seus monumentos, suas calles… (Sem deixar de estudar, claro. Muitas vezes sonhava em voltar a morar lá sem obrigações de estudos…).

Às vezes também gostava de ir ao cinema só. Mas em Madrid tem uma coisa engraçada: os filmes são dublados (pelo menos, eram)! Eu não tolero filmes dublados… Bem, mas encontrei uma rua inteira com alguns cinemas que os filmes eram legendados. Pronto. Resolvido o problema!

Centro de Madrid. Encontro da Gran Via com a Alcalá.

Nas quartas-feiras tínhamos uma reunião de mulheres. Os homens ficavam tomando conta dos niños, hehehe! Um jantar em algum restaurante diferente com as mães dos coleguinhas (os mais íntimos) da escola de meus filhos.

Éramos cinco: eu, Pilar, Chus, Almudena e Glória. Almudena era casada com um egípcio e tinham um restaurante ótimo. Comidinha árabe deliciosa! Às vezes íamos também por lá. (Até hoje continuo mantendo contando com Pilar e sua filha Alexia. Por elas sei algumas coisas de umas, mas não de outras… Coisas da vida…).

Assim, de parque em parque, de museu em museu e de cidades vizinhas em cidades vizinhas íamos levando a vida. Era engraçado, a cada museu que visitávamos, os meninos iam com suas mochilinhas nas costas com lanches e alguns brinquedos. Se cansavam, sentavam nos bancos e comiam algo ou desenhavam, brincavam um pouco… E brincando, conheceram muita coisa…

Árvores na Castellana (Foto “by me”, tirada em 2008)

Do Prado ao Reina Sofia em Madrid, até o Louvre em Paris e outros tantos museus que visitávamos nas viagens de férias.

Museu do Prado

A Movida!

Ah! E as noites? Era aí que a tal “movida” se mostrava. As ruas cheias de gente, indo e vindo, entrando e saindo de bares, nas calçadas, no meio das pequenas ruas estreitas onde havia bares de um lado e outro, e ao lado do outro. A Calle Huertas, a Plaza de Santana… Tudo era festa!

Plaza de Santana

“Calle Huertas” (vazia durante o dia, mas a noite é lotada de gente!)

Museo del Jamon

As tapas (petiscos) eram preciosas como dizem os espanhóis! Setas a la plancha, pimientos de padrón, patatas bravas, jamón serrano, ibérico… Além dos bares, restaurantes antigos e típicos, cada qual com suas comidas deliciosas e distintas, apareciam em todo canto. El Sobrino del Botin, o Llardy, O Café Gijón…..

Até o Museo del Jamón, que se tornou um tanto turístico, valia e vale a pena ir lá, comer unas tapas de jamón, una copa de vino, una cerveza…E também falando nesse lado turístico tem os bares na Plaza Mayor que tinham e, mesmo sendo agora tão “turístico”, têm seu encanto. Sentar por lá, olhar ao redor, “picar” algo… Tomar un vino o una caña

Plaza Mayor

Uma anônima em Madrid!

Na verdade o que mais em encantava era o anonimato. Ali eu não tinha que “prestar contas” a uma sociedade “cobradora”… Sentava nas paradas de ônibus (que por sinal eram ótimos) e ficava lendo revista “besta”. Tava nem aí pra alguém dizer coisas do tipo “ah e você lê isso?”. Saía de casa vestida como queria, o cômodo superando a moda. Se a moda era cômoda, tudo bem, mas se não era, a la mierda. Nem tinha ninguém pra falar “viu só Fulana? nem tá com roupas da marca tal, etc e tal”…

Na verdade a gente vê na Europa, em NYC (ou mesmo no Brasil claro!) pessoas super bem vestidas, na moda, mas uma moda variada, fashion, mas cada uma no seu estilo… Moda, afinal, não é “uniforme”, né?

E olhem que lá em Madrid fiz muitos amigos. Verdadeiros amigos e amigas, quase família. Desde professores da universidade a pais e mães dos coleguinhas de meus filhos… Falando nisso na escola deles, pública e de qualidade, estudavam desde o filho do porteiro até filho de dono de cadeias de super mercados…

Outra coisa que achava interessante: era morar numa cidade “grande”, com alma de cidade pequena. O bairro era como se fosse a cidade-pequena dentro da grande. Lá todos se cumprimentavam, se conheciam. Se fosse comprar algo na mercearia e esquecesse o dinheiro, podia “deixar pra depois”…

“Winter, spring, summer or fall…”

Tinha outra coisa que eu adorava: as estações do ano bem definidas!

Um inverno frio, com neve muitas vezes… Aí a gente podia usar aqueles casacos maravilhosos…

Uma primavera florida, um pouco chuvosa às vezes, um tanto ensolarada outras… Na verdade é que na Espanha, na maioria das vezes, brilha seu sol partilular!

Um verão quente (nessa eu não gostava de ficar na cidade, preferia viajar, sair de lá… A única coisa boa era que a cidade era “vazia”, tinha estacionamento em todo canto, sem filas pra nada…, mas muito, muito, quente! agobiante!)…

Um outono precioso, como dizem os espanhóis! Era a estação que eu mais gostava. Ver aquelas árvores douradas e as folhas pelo chão… Adorava caminhar por entre elas… Chutando as folhas, sem me preocupar com nada…

Árvores da Castellana no outono

Bom, não me canso de falar sobre essa cidade, mas escrever demais cansa… Tem mil coisas na minha cabeça, lembranças a mil por hora, e não consigo escrever nessa velocidade do pensamento…

Concluindo…

Pra concluir esse primeiro texto, duas coisas a serem ditas: Das viagens pela Europa e das voltas a Madrid!

Nesses três anos que lá vivi, a cada férias de fim e meio de ano, viajamos pela Europa quase toda. De carro, principalmente. Conhecemos as principais capitais e outras tantas cidades…

No verão, algumas vezes acampávamos e os meninos adoravam! Nos invernos tínhamos um tempo reservado para as estações de esqui. Encontrávamos amigos brasileiros que estavam fazendo doutorado pela França, e em outros tantos lugares… As festas de fim de ano… Dos Pirineus aos Alpes! A brancura da neve que fez parte da minha vida e das crianças, assim como o sol e a alma caliente dos espanhóis…

Pena que naquele tempo não havia câmera digital, e me dá uma preguiça danada “desarrumar” os álbuns tão organizadinhos pra tirar algumas fotos de lá, scanear, colocar aqui, blá, blá, blá… Lo siento!

Plaza de Cibeles

Voltei a Madrid várias vezes. Nos anos 90 fui a um congresso em Tours, na França e na volta passei por Madrid. Fiz também um curso no Reino Unido e de lá “dei um pulo” em Madrid. Alguns outros pequenos “pulos” indo ou voltando de algum congresso…

Em 2007 voltei para passear, dessa vez com San. Ah, e com algumas amigas, que lá moram, descobri que o grande barato era (e ainda é!) ir aos sábados e domingos, almoçar ou pós-almoço (ir de tapas), em La Latina. Um bairro cuja movida madrilenha se mostra cada vez mais viva!

Porta de Alcalá (em 2007, com San)

Bares da “movida madrilenha” (Eu e San)

Pelos bares, em 2007

Curtindo o outono, em 2008.

Em 2008 passei um mês por lá, num programa de intercâmbio de professores. Esse mês me fez reviver aqueles três anos. Andava pela Castellana chutando as folhas caídas das árvores do outono…

Também andei por uma Madrid mais moderna. Novos bairros, mansões, hipermercados… Novos restaurantes, como o Lavínia, entre tantos outros… Mas, sem esquecer a “velha” Madrid, jamás!

Em 2009 voltei de novo, quando fui fazer o “Caminho de Santiago”… Com certeza, se Deus quiser, vou voltar mais vezes…

Um brinde a Madrid!


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Engenheira por formação, fez doutorado em Madrid onde começou sua paixão pela Europa. Aprendeu, com seus pais, desde criança a gostar de viajar. Adora viajar e diz que "sem viajar não me reconheço"! Escreve sobre suas viagens pelo mundo afora de forma divertida e leve. Escritora por hobby, além desse blog tem dois livros de viagens publicados.

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