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Natal: Verões & Veraneios

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Nasci perto do mar. Da primeira casa onde morei dava pra ir a pé pra praia. Praia “dos Artistas”, Praia do Meio, Areia Preta… Acho que uns dois quilômetros, no máximo. Só tinha que andar uns quarteirões e descer a Ladeira do Sol. Meu irmão quando pegava “onda” (surf) ia quase todo dia a pé com sua prancha…

Já a Praia do Forte, que era melhor pra criança, era um pouquinho mais longe pra se ir a pé. Mas não tanto! Era quase uma piscina, com as águas “represadas” pelas pedras (arrecifes).

Mas, acho que meu primeiro banho de mar foi em Genipabu. Tenho uma foto, com meses de nascida, num banho de mar com meu pai. Não lembro, mas tem a foto pra provar!

Genipabu  pertence ao município  de Extremoz, mas é tão pertinho, que consideramos Natal…


Eu e meu pai, na praia de Genipabu

Lembro de passeios com minha avó pelas praias “centrais” de Natal, como também de idas à Ponta Negra pra casa de minha prima Helianinha. Diga-se de passagem, casa de veraneio. Naquela época, Natal acabava numa tal “corrente”, perto de onde hoje é o Machadão (era, porque foi derrubado pra construir outro estádio pra Copa), e antes, a tal corrente era ali na Alexandrino… Ôps…

Ponta Negra não era como hoje. Era fora da cidade e considerada uma praia de veraneio, imaginem! Atualmente é mais um bairro de Natal, embora que já teve seu apogeu. Hoje tá meio “abandonada”, mas mesmo assim, lotada de turistas! Afinal, ainda é uma bela praia, apesar de tudo!

Verões, Veraneios

Na Redinha

Bom, mas vamos aos veraneios. Meus primeiros veraneios foram em Genipabu, mas os primeiros que me lembro foram os da Redinha...  Meus pais alugavam uma casa logo no comecinho (ou seria o finzinho?) da Redinha. A casa era grande e arrodeada de alpendres… Atrás, tinha um mangue onde íamos lá pegar caranguejos…

Minha tia Violeta tinha também uma casa na Redinha. A dela era “mais pra lá”, já perto da igrejinha. Aos meus olhos, a casa era enorme, com um terraço enorme… Tudo grande!

Antigamente pra chegar na Redinha ou se ia por uma ponte “antiga” (um arrodeio danado),  ou de barco… Um tempo depois, tinha uma balsa… Agora, a nova ponte nos deixa lá super rápido. E de lá, podemos chegar em outras praias da região norte do RN, como Genipabu, Jacumã, Muriú, e tantas outras.

Bom, voltando a Redinha de outrora… Normalmente íamos de barco. Muitas vezes, mesmo fora de veraneio, eu ia com Lalá, minha outra tia, pra casa de Violeta. Lalá tinha umas amigas, que agora não lembro os nomes, e todas íamos almoçar na casa de Violeta. De lancha ou de barco a vela.

E, sobre nossos veraneios… Na casa vizinha à nossa casa tinha uma menina. Meu irmão dizia que era a sua namorada (ou era ela quem dizia?) e os dois viviam pulando de mãos dadas da mureta dos terraços pra areia da praia (acho que não tinha calçada).

Nossa outra vizinha era uma amiga de minha mãe, Jandira. Nem sei se ela alugava essa casa todo ano, mas lembro muito bem dela porque ela tinha um lugar no “meu coração”. Sentimentos de criança desses fortes e verdadeiros. Nunca disse a ninguém… Ela tinha três filhos, mas também não lembro se os três já tinham nascido nessa época. Jandira participava muito da nossa vida “praieira” ou fora dela. Quando eu era adolescente ela partiu desse mundo… Enfim…

Tinha uma coisa engraçada que, na época, seu marido falava. Como meus pais sempre gostaram muito de viajar, creio que tentavam levá-los juntos, mas ele sempre retrucava: ” Viajar pra que? Todas as cidades são iguais. Casas de um lado e de outro e uma rua passando no meio”. Cada qual tem seus gostos, né?

Uma vez, minha mãe fez um aniversário de meu irmão João (que era em fevereiro) “uma festa à fantasia”. Só que as fantasias eram de papel crepom. Todas lindas, coloridas… Palhaços, chineses, bruxas, fadas, etc. e tal. O lance era que depois todos deveriam tomar banho de mar com as fantasias! Foi uma choradeira quando as fantasias começaram a se desmanchar no mar…

O banho de mar à fantasia. Tia Míria com João, meu mano, de palhaço. E outras crianças…

Lembro também de muita areia quando íamos pro lado da casa da minha tia ou pra Missa. Vento e areia! Uma vez caiu um cisco no meu olho e quase não sai mais. Foi horrível!

A praia da Redinha era legal, mas o banho de mar tinha um limite. Tinha um canal fundo e diziam também que havia redemoinhos que “puxavam” a gente, caso passássemos desse limite. Dava um certo medo…

Tinha o trapiche, onde alguns se aventuravam e pulavam de lá. Era onde os barcos ancoravam, e às tardes estávamos sempre por lá pra ver a chegada deles…

O Trapiche na Redinha (foto Jaeci)

Na lateral, tinha uma parte que chamávamos de “costa”. Com grandes ondas, mar aberto, diferente da “frente” da Redinha. Dava medo tomar banho por lá! Hoje em dia chamam de “Redinha Nova” (ou Nova Redinha, sei lá…).

Minha mãe conta que fazíamos grandes passeios a pé até Santa Rita, outra praia que ficava depois da “costa” e um pouco antes de Genipabu. Desses, eu não lembro muito bem…

Quando eu tinha dez anos meus pais construíram uma casa em Pirangi, beira-mar, e nosso veraneio mudou-se pra lá…

Em Pirangi

Pirangi já não é mais Natal. Pertence a Parnamirim, mas é super perto…

Minhas primeiras lembranças de Pirangi são de alegria. Meus irmãos num barco, longe, e minha mãe olhando do terraço. Meu pai caminhando na praia e depois deitado de braços abertos, ao sol. Eu, com amigas, em banhos de mar intermináveis. Eu, meus irmãos e as empregadas indo pegar caranguejos no mangue. E, banhos no rio…

Pirangi do Norte, hoje. Nossa casa ficava perto daí. Na época em vez desse “pier” tinha um curral pra pegar peixes…

Luz, só de candeeiro e lamparina. Depois, umas “lâmpadas” mais sofisticadas com um bujãozinho de gás… Até chegar a energia de “verdade”.Pirangi não tinha energia elétrica. Nem água potável. Íamos buscar água em Pirangi do Sul, numa bica perto de uma cruz. Eu não gostava de ficar por perto da tal cruz, mas…

A casa tinha um tanque grande no banheiro onde se despejava a água. Outra parte da água ficava em tonéis na cozinha… Tinha também uma espécie de caixa d´’água e um poço (mas isso já foi depois…).  Do tal poço se puxava água à mão, só tempos depois foi comprada uma bomba elétrica…

Aos domingos, alguns amigos de meus pais nos visitavam. Um deles, Genário, casado com Geralda, era muito divertido. Levava a gente pra “roubar” cajus num terreno-sítio que ficava por trás da nossa casa e, se aparecia alguém ele logo dizia com sua voz engraçada: “Dona Maria me dê um cajuzinho”…

Caju…

Os banhos de mar começavam cedo. De brincadeiras na areia fazendo castelos até “pegar carona” nos barcos de pescadores e dar uma “voltinha” no mar, tudo era válido!

Tipo de jangada que passeávamos…

As tardes os banhos de mar continuavam. As tardinhas caminhávamos pela praia… Esperávamos os barcos de pescadores, ou as redes jogadas ao mar ali por perto, pra ver os peixes…

Minha mãe deixava a gente bem à vontade, sem cobranças de horários pra voltar… Liberdade com sol e mar…

Era tanto banho de mar que eu ficava “preta”. Lembro que uma vez, já em Natal, um menino passou pela nossa rua e numa briga de palavras ele me chamou de “neguinha”. Passei meses (ou dias?), sem querer voltar aos banhos de mar…

Mas, eram apenas coisas de criança, nada a ver com preconceito, coisa “besta” mesmo… Até porque depois, na minha adolescência eu ficava “esticada” na areia das praias, passando todo tipo de óleo, caseiro ou industrializado, pra ficar cada vez mais “preta”.

E até hoje curto minha cor. Pena, que os órgãos de saúde agora advertem “sol pode fazer mal…”.  Por isso não consigo ficar mais nem preta, nem dourada, só amarelada! hehehehe!

Além do veraneio, muitas vezes íamos também pra lá em fins de semana. Lembro de um fusca de meu pai, lotado de gente e de coisas, e todos felizes! A maior parte da estrada era de areia ou barro. Não tinha ar condicionado no carro, e muitas vezes íamos “engolindo” poeira…

A cada povoado que passava meu pai cumprimentava as pessoas: “Bons dia Dona Maria”, querendo imitar o jeito de falar deles. Não pra ironizar, e sim pra “chegar mais perto”. Meu pai era assim, legal demais!

E, na “viagem” pra praia ele cantava todo o tempo. Foi assim que aprendi várias canções de “sua” época!

A noite meu pai contava estórias pros meus irmãos menores. Ficávamos nas redes do terraço… Ele gostava de contar umas estórias* meio “terroristas” e meu irmão Carito ficava “assombrado” (mas gostava, paradoxalmente!).

*… Ondas tenebrosas, volumosas, tortuosas..., a voz cada vez mais ficando com um tom mais alto e mais “grosso”. Carito à “berrar”… Minha mãe perguntando: Jessé o que é isso que você tá fazendo com o menino? E a gente rindo…

Em Pirangi passei os veraneios do “resto” da minha infância e toda a minha adolescência…

Sobre a adolescência…

Os veraneios em Pirangi eram ótimos, especialmente na época de adolescentes.

Durante as manhãs, banhos de mar e de sol pra pegar um bronze…

Aqui vale um parêntese: Esse bronze, como já disse, fosse no veraneio ou em praias de Natal, era algo ultra perigoso. Mas na época não sabíamos dessas coisas… Pra o bronze ficar perfeito passávamos óleo de bronzear com coca-cola, com beterraba ou até um tal de “óleo de avião”. Eu, hem?

Nas tardes tinha um voleibol em uma das casas (na época eram poucas casas…). Uma turma que jogava e outra que assistia. Normalmente eu ficava na platéia, mas algumas vezes, quando tinha pouca gente eu participava dos jogos. De toda forma era ótimo!

Antas do voley, íamos em alguma das casas dos amigos e ficávamos escutando música, em radiolas ou no som dos carros…

Meu pai tinha a mania de mandar a gente descansar depois do almoço. Eu odiava porque queria ir logo pra casa dos amigos. Mas, esse ritual de pelo menos uma hora “na cama”, tinha que ser cumprido…

Às noites ficávamos conversando (alguns namorando), ou íamos pra algum “arrasta”. Ás vezes, rolava uma festinha em Pirangi do Sul e íamos com uma lanterna na mão, os meninos assustando as meninas, principalmente ao atravessar uma ponte. Na verdade havia duas pontes. Nos passeios diurnos passávamos por uma de madeira que era totalmente velha com umas partes quebradas. Aí era que os meninos gostavam de nos fazer medo, pulando na ponte pra fazê-la balançar…

O som das festas, dos carros e radiolas era muito bom. De Santana, passando por Bee GeesBeatles, Bread, Simon and Garfunkel e outras tantas bandas, valia tudo que era de bom gosto para a época! Algumas músicas ficaram gravadas na memória… I Started a Joke, etc….

Algumas músicas aqui pra lembrar… E mais, e mais …

E tinha um lance muito interessante: os meninos faziam serenatas pras meninas com radiola de pilha… Lembro bem dessa música: Reflections of My Life.

É isso! Reflexões da minha vida…

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Engenheira por formação, fez doutorado em Madrid onde começou sua paixão pela Europa. Aprendeu, com seus pais, desde criança a gostar de viajar. Adora viajar e diz que "sem viajar não me reconheço"! Escreve sobre suas viagens pelo mundo afora de forma divertida e leve. Escritora por hobby, além desse blog tem dois livros de viagens publicados.

Comentário para Natal: Verões & Veraneios

  • Nossa! Descrição maravilhosa! Também passei minha infância e adolescência em Genipabu, quando ainda era uma vila de pescadores. Uma maravilha!!! Voltei no tempo com seu texto. Lembro de quando faltava energia (sempre!!) e ficávamos contando as estrelas! Eram tantas!! E as surras que levávamos dos maruins? kkkkkkkkk! Comi muito guaiamum (é assim que escreve?)que meu pai e meus tios pegavam no mangue, que também ficava atrás da nossa casa. Bons tempos em que passávamos as férias livres, leves e soltos! Saudades…

    Cristina 6 de agosto de 2013 14:25 Responder
    • Bom demais essa “volta ao passado”, né, Cristina? Obg pelo comentário!

      Ana Célia 6 de agosto de 2013 14:47 Responder
  • Amei amiga! Parabéns por estas lembranças! Me remeteu as minhas! Tem sujeitos que não acreditam que engenheira saiba escrever! Claro que discordo, pois sou casada com um que escreve bem demais! Estas lembranças de “assombrações” até hoje nós nos reunimos ( com meus irmãos) para relembrar! Tinha um programa de rádio muito tarde da noite que era só de assombração ! Até hoje tenho medo! Valeu ! Bibliobeijus ?????????????

    Socorro Borba 18 de janeiro de 2017 19:48 Responder

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