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Turquia (por Giovana Paiva de Oliveira)

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1) Um Destino: TURQUIA

É difícil mexer na memória e por meio dela e das fotos, começar a escrever sobre a viagem que fiz à Turquia em 2007. De início, afirmo que foi o lugar mais surpreendente que conheci, onde tive consciência da importância daquele país e do fato de ser uma interseção geográfica na história, pois lá pude encontrar muitos resquícios das diversas civilizações que abrigou, seus caminhos e seus destinos.

Fui à Turquia por meio de um pacote turístico feito para espanhóis, comprado numa promoção do site “www.atrapalho.com/es”, por apenas 300 euros por pessoa. Tive direito a passagens Barcelona/Istambul/Barcelona de avião, ônibus turísticos e traslado de Istambul a Capadócia, entrada em vários edifícios e museus, hotel com café da manhã e metade das demais refeições. Ou seja, conheci a Turquia em uma pechincha!!!

Durante a semana em que estive na Turquia, penso que foi um dos lugares em que o Brasil se fez mais presente nas minhas lembranças.

2) História

A Turquia é um país euroasiático, que ocupa península de Anatólia e separa a Europa da Ásia. Foi o local de vários impérios, lugar de muitas guerras, de sultanatos e reinados que sobreviveram e desapareceram ao longo do tempo.

Ao visitar a Turquia, percebi que devia ter estudado mais história na minha juventude!

No ítem 3, a seguir, falo mais um pouco da história de cada lugar que considero “imperdível” para visitar.

3) O que é Imperdível

A diversidade de informações encontradas na Turquia foi tamanha que se torna muito difícil informar um lugar que seja imperdível. Direi que é imperdível deixar de visitar Istambul, Ankara e Capadócia. É indesculpável deixar de visitar o Palácio de Topkapi, a Mesquita Azul, a Haya Sophia, as Cisternas Romanas, os mercados, as feiras, os Museus, os vales e as cidades subterrâneas. Enfim, é um lugar muito instigante, que despertou em mim uma incompletude e representou uma ruptura na minha visão de mundo, além de ter se tornado um lugar que sempre me anima a querer voltar.

Por fim, destaco que acredito que a melhor forma de conhecer a Turquia é por meio de grupos turísticos, particularmente por causa da língua e das diferenças culturais que nos distanciam.

a)       O PALÁCIO TOPKAPI

Resolvi escolher o Palácio de Topkapi como um dos lugares imperdíveis porque tenho muitas anotações a seu respeito, mas ele é apenas um dos lugares imperdíveis.

Primeiro, destaco que os azulejos que revestem suas paredes, do início ao fim, são maravilhosamente fantásticos. Fotografei milhares.

Azulejos…

Sua arquitetura é inspirada nos edifícios islâmicos e está distribuída em mais de 700 hectares de área. Foi construído pelo sultão otomano Mehmet, o Conquistador, que o transformou no primeiro palácio depois da conquista de Constantinopla, em 1453. Após ele, numerosos sultões viveram ali e o foram construindo paulatinamente, até Mahmut II (1808-1839), que foi o último imperador a morar em Topkapi.

O palácio de Topkapi cresceu através dos séculos e sua planta foi sendo dividida em pátios, confirmando que os otomanos seguiram a prática bizantina e separaram o monarca do povo.

Ou seja, são 4 pátios: o primeiro pátio estaria aberto a todo o povo; o segundo, só às pessoas com permissão imperial; o terceiro, à família imperial; e o último, apenas os aposentos familiares do imperador. Por fim, na parte íntima, encontramos o harém que possuía mais de 300 habitações. Nesse palácio de tantos imperadores com tantas mulheres disponíveis, há registros de que um deles chegou a ter 112 filhos.

No primeiro pátio, os comerciantes chegaram para vender suas mercadorias e instalavam verdadeiras feiras livres. No segundo pátio, as pessoas só entravam se estivessem montadas a cavalo (não entendi o por que, mas… foi a informação que recebi) e deviam ter sempre a permissão do imperador.

O Palácio, as arcadas do primeiro pátio e detalhes do teto das arcadas…

Além disso, entre os dois primeiros pátios existiam outras comunicações, como as cozinhas e as dependências de serviço do palácio, que eram imensas, pois no palácio trabalhavam e viviam cerca de 11 mil pessoas, servindo à família imperial e mantendo sua estrutura funcionando, consequentemente estes frequentavam as feiras para abastecer as despensas do palácio.

A primeira foto desse post mostra a porta de entrada ao local de reunião dos Paxás, outros nobres e o imperador. A seguir,  uma visão do segundo pátio.

Segundo conta a história turca, para chegar ao terceiro pátio era necessário passar pela Porta da Felicidade, que dava acesso ao harém. Este, por sinal, é um ambiente belíssimo, com seus inúmeros azulejos (não foi permitido fotografar).

E, por fim, chegamos a parte mais íntima e mais reservada do Palácio, os aposentos do imperador. Dele, vislumbramos a paisagem do Estreito do Bósforo e vimos vários ambientes: O pátio com a piscina (e fonte ao centro), o local de oração, os aposentos do imperador e um quiosque com cobertura dourada com vistas para o Bósforo.

Quiosque com vistas para o Bósforo

O pátio e a piscina (com a fonte ao centro)

Ao longo da imensa caminhada, vimos muitas exposições de cerâmicas chinesas, louças de bronze, joias com esmeraldas, rubis e ouro (em algumas dessas exposições foi possível fotografar, outras não).

Por fim, chegamos ao fim da visita ao Topkapi exaustos. Rafael irritado e eu feliz porque estava ali, vendo à distância o Bósforo.

Rafael “chateado”…

A visita ao Palácio foi nossa primeira visita ao longo de uma viagem de 7 dias. Percebi que seria uma convivência mesclada por aventuras e emoções.

b)      OS MERCADOS TURCOS

As feiras também são outros lugares imperdíveis na Turquia. Elas sempre me atraem, embora não costume frequentá-las cotidianamente. Mas, nelas, sempre se revelam em mim emoções, particularmente diante das cores, do movimento e do material exposto. Andar, olhar e sempre comprar alguma lembrança.

Na Turquia, a programação escolhida pelo guia da viagem nos levou a vários mercados e feiras. Nas diversas ocasiões, chamavam a atenção as negociações estabelecidas pelos comerciantes, que nos deixavam sempre confusos, sem saber se estávamos pagando um preço justo, se estávamos sendo roubado ou se estávamos comprando barato ou caro.

Os comerciantes assediavam, acompanhavam e insistiam sem parar. Bastava olhar, demonstrar interesse… Fomos orientados pelos guias a oferecer menos da metade. Para mim, tornou-se cansativo porque sempre tinha a impressão de que estava participando de uma roleta russa. Só para ter uma ideia, uma boina turca que custava 10 liras turcas, comprei por 2. Uma blusa que custava 10, comprei por 4. Uma calça que custava 18, comprei 2 por 22 e assim vai. Mas, ao final, penso que fiz boas compras.

O principal mercado que conheci em Istambul foi o Gran Bazar, o qual está em todos os guias de turismo. É enorme! Um labirinto belíssimo, do chão ao teto com elementos que chamavam a atenção. Corredores, multidão, música, vozes, barulho, animação. O Gran Bazar é uma grande festa! Mas, não é o lugar para se comprar. Tudo é muito caro… Foi lá que vi, pela primeira vez na minha vida, várias lojas cheias de ouro.

O Gran Bazar e…

… o ouro em algumas lojas!

Em Istambul, também fui ao Mercado Egípcio, que é uma feira ao ar livre, que se estende por diversas ruas próximas a um dos cais de Istambul. Nela, podemos comprar coisas baratas.

Neste mercado, fiquei encantada pelas cores dos temperos.

Ainda em Istambul, fui ao mercado de peixe e sai olhando, para saciar minha curiosidade. Na nossa programação, seria o lugar onde almoçaríamos e comi um peixe fresquíssimo, que, inclusive, estava vivo e nadando em uma bacia cheia d’água, antes de escolhê-lo. Comi um dourado frito que estava uma delícia!

Cenas do Mercado de Peixe

E, por fim, o último mercado que visitei foi um dos existentes na Capadócia, no centro de um pequeno povoado (não anotei o nome!). Lá, afastando-me um pouco da excursão, conheci uma feira popular que está fora dos circuitos turísticos, onde os moradores do povoado e das redondezas fazem suas compras. Foi um acaso ter encontrado essa feira e ter tido tempo disponível para visitá-la. Lá vi famílias comprando, carros e caminhonetes saindo lotados de pessoas com suas compras, mulheres seguindo atrás de seus maridos, com o rosto e o corpo cobertos e de cabeça baixa. Era pleno meio-dia e foi um dos momentos mais interessante que vivi.

Ah, as mulheres turcas!!!! Fiquei muito impressionadas com seu rostos, quase todos encobertos, revelando muito pouco de si mesmas!

c)       A CAPADÓCIA

A terceira visita imperdível que indico é a Capadócia, que ultimamente virou moda. Para mim, todas as pessoas do mundo deviam nutrir o desejo de conhecer essa região do mundo.

Em maio de 2007 cheguei a esse lugar despretensiosamente e me surpreendi com sua exuberância!

Trata-se de uma região que foi encoberta por larvas de vulcão e que voltou a ser ocupado pelo homem. Foi a área central do Império Hitita e posteriormente um reino independente.  Posteriormente, ainda se tornou, uma enorme província romana e é mencionada pela Bíblia.

Apesar da aparente aridez é uma região agrícola muito fértil, produtora de frutas, principalmente de uvas para a produção de vinhos. A região, que foi encoberta por larvas vulcânicas, também sofreu com a erosão dos ventos e das chuvas e foi sendo transformada nessa paisagem muito instigante, cheia de pequenas montanhas, pontudas, chaminés e vales. Grande parte dessas pequenas torres foram, e são, utilizadas como casas, igrejas, capelas e monastérios; assim como abaixo de suas montanhas, existem quilômetros de túneis, que se constituíram em cidades subterrâneas (que serão referidas a seguir, no quarto lugar imperdível).

A região da Capadócia foi, durante milênios, utilizada como refúgio para os cristãos que procuravam proteção contra a perseguição que sofreram dos judeus.

d)      AS CIDADES SUBTERRÂNEAS

Enfim, a quarta e última dica imperdível desse longo relato: as Cidades Subterrâneas.

Antes de tudo, é importante esclarecer que todo o solo da região da Capadócia é composto por cinzas e argila, o que já foi dito anteriormente, mas o importante é saber que essa mistura mantém a terra, na sua superfície, muito fértil, e no seu subsolo, um tipo de solo de fácil remoção e escavação. Além disso, em contato com a atmosfera (ar e água), torna-se enrijecida, de tal maneira que é quase impossível de ser rompida pela mão do homem.

Essa é a lógica que explica a resistência das casas e das mais de 40 cidades subterrâneas construídas apenas na região da Capadócia.

É muito difícil descrever a emoção vivida na experiência de entrar numa cidade subterrânea.!! Acho que não consigo diferenciar as inúmeras sensações contraditórias. Foi um misto de constrangimento, incômodo, vergonha e revolta pela perseguição histórica que os cristãos sofreram. Foi uma sensação de pequenez, felicidade e euforia por ter minha liberdade tão bem conquistada. Foi, enfim, uma oportunidade em que pude fazer algumas associações e senti concretamente o que o homem é capaz para sobreviver e defender uma crença, seja religiosa ou não.

Conta a história turca que a intensificação da construção de cidades subterrâneas na região do Oriente Médio, provavelmente se deu após a morte de Jesus Cristo, quando os cristãos começaram a disseminar suas ideias e, perseguidos, precisavam de refúgios que lhes garantissem segurança.

Na minha viagem à Turquia, visitei a cidade de Ozkonak, ao norte da região da Capadócia, próxima a um mosteiro da época Bizantina e que foi descoberta em 1972, quando um morador limpava o jardim.

O povoado atual próximo à entrada da Cidade de Ozkonak;  o esquema da cidade de Ozkonak (fotografada de um livro); e a entrada construída pelo Governo Turco.

Um ano após sua descoberta, em 1973, o governo Turco tomou para si a sua administração, limpou-a e inseriu essa visita no roteiro turístico da Capadócia. Ali encontramos o que existe na maioria das cidades subterrâneas, como estábulos, galinheiros, manjedouras, túneis, residências, tubos de ventilação e as famosas portas de pedras.

O estábulo (primeira sala) com o detalhe da fenda feita na rocha para prender a corda que amarrava o gado.

As portas de pedras fazem parte do sistema de segurança de todas as cidades subterrâneas. Ficam, em geral, ao final de um longo e estreito túnel de entrada, por onde passa apenas uma pessoa de cada vez. Segundo o guia que nos orientava, as portas da cidade de Ozkonak tinham cerca de 60 cm de espessura, 1,70m de altura e pesavam 500Kg.

O interessante é que só podiam ser abertas pela parte interior da cidade e nunca pela pessoa que entrava.

Ou seja, o invasor que tentasse entrar em uma cidade subterrânea, esbarraria numa dessas portas e teria, talvez, que retornar de costas, uma vez que o espaço disponível não permitia a movimentação do corpo humano.

O sistema construtivo dessas cidades subterrâneas é muito instigante. O ambiente superior tem sempre abaixo de si (próximo da área central) a parede do nível inferior, o que lhes garante solidez do piso. Algumas cidades foram construídas até a 40 metros de profundidade e os diversos níveis estão sempre localizados um abaixo do outro.

Nos ambientes existem poços de ventilação, o que garantem uma circulação de ar dentro da cidade. Especula-se que os poços de ventilação foram utilizados também para retirada do material escavado.

A temperatura ambiente dentro da cidade, particularmente a que visitamos, era fria e, para enfrentá-lo, fomos orientados a levar casacos que nos protegessem. Enquanto na parte exterior, a temperatura era bastante elevada.

Esquema de uma cidade subterrânea fotograda a partir de um panfleto de turismo e um poço de ventilação

De qualquer maneira, observei que na cidade não existe espaço para as necessidades fisiológicas e o abastecimento de água se dava em jarros cerâmicos. Daí porque, provavelmente, explica a razão porque estas cidades eram abrigos temporários e talvez utilizados somente nos períodos de ataques e perigos.

Na atualidade, por meio dos investimentos governamentais, as cidades subterrâneas foram iluminadas, o que facilita a visitação do turismo.

Apesar da iluminação artificial, escolhi alguns lugares com pouca ou nenhuma iluminação para registrar sem o flash da máquina fotográfica, o que deveria ser viver vários dias ou semanas ou meses dentro desse formigueiro, apenas para sobreviver.

Por fim, é interessante registrar novamente que existem milhares de cidades subterrâneas na região do Oriente Médio, algumas delas, inclusive, ainda por ser descobertas.

4) Sobre a entrevistada

Giovana Paiva de Oliveira: macauense, natalense, potiguar. Arquiteta e professora da UFRN, com mestrado e doutorado. Em análise a muitos anos, descobriu a pouco que ainda busca se descobrir, assim como descobrir a vida. Adora escrever e mantém vários blogs secretos, além de ter como hobby atual concorrer aos prêmios de ananomundo.

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Engenheira por formação, fez doutorado em Madrid onde começou sua paixão pela Europa. Aprendeu, com seus pais, desde criança a gostar de viajar. Adora viajar e diz que "sem viajar não me reconheço"! Escreve sobre suas viagens pelo mundo afora de forma divertida e leve. Escritora por hobby, além desse blog tem dois livros de viagens publicados.

Comentário para Turquia (por Giovana Paiva de Oliveira)

  • Gio, você arrasou nesta entrevista. Muito legal! Revestida de história e belas fotos. Parabéns!

    Ana Lúcia 27 de agosto de 2013 20:17 Responder

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