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Uma confusão cabeluda (na fronteira da Turquia com Grécia)! Por Tito Rosemberg

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270px-Turkey-greece.svgUm Destino:

“Perambular” pelas praias da Turquia e Grécia

Uma história “cabeluda”:

O ano era 1969. Um grupo de andarilhos mochileiros viajava pela Turquia em busca de experiências e aventura. Eu era o único brasileiro entre alemães, franceses, canadenses, argentinos e americanos. O sonho hippie fervia em nossas jovens cabeças. Com 23 anos de idade tudo que havia de importante para mim eram as utopias idealistas e a descoberta do mundo. A maioria de nós tinha cabelos longos e sob eles a ideologia de um mundo melhor baseado na paz e no amor.

Mas a realidade ainda tinha muito a nos ensinar. Após semanas acampando pelas paradisíacas praias da Turquia, um dia nos deparamos com a fronteira da Grécia. Uma ponte separava os dois países e em cada extremidade dela ficavam os militares que controlavam a passagem. Os tempos eram duros, os militares mandavam tanto de um lado como de outro da fronteira. Era a época áurea dos ditadores que engordavam suas contas bancárias na Suíça com as sobras da “guerra fria” entre o comunismo da União Soviética e o capitalismo dos Estados Unidos.

Naqueles tempos, pior do que ser espião era ser “hippie”, e isto nós pelo menos parecíamos ser. E vivíamos orgulhosos de nossa filosofia existencialista, curtindo o dia a dia como se fossemos eternos, no ano do primeiro festival de Woodstock. Os carrancudos funcionários da Imigração turca nos deixaram passar aliviados, felizes por verem aqueles “indesejáveis” cabeludos saindo do seu país, e um deles, com cara de chefe, ainda nos perguntou como conseguíramos entrar no seu país, emendando que por aquela fronteira nunca passaríamos com nossos visuais nada convencionais.

A pé deixamos a Turquia, e atravessamos a ponte rumo ao território grego. Poucos metros depois lá estavam os, para variar carrancudos, funcionários da Imigração grega. Um deles, cuja cara nunca mais vou esquecer, aproximou-se de nós, pegou os passaportes e declarou solenemente: “É proibida a entrada de cabeludos”.

Por um momento o silêncio tomou conta do Universo. Olhamo-nos mutuamente em busca de um argumento, mas a metralhadora na mão de nosso interlocutor parecia mais convincente do que nossa vã filosofia.

Nosso companheiro francês de cara limpa, cujo nome nem me lembro mais, disse que tinha um aparelho de barbear e que se propunha a usá-lo para cortar o cabelo. O durão da metralhadora disse que se cortássemos os cabelos e as barbas nos deixaria passar. E aí começou outra cena que se não fosse trágica (imaginem perder os cabelos que deixáramos crescer tanto tempo?) seria cômica: um por um fomos cortando com a pequena lâmina os pelos que nos diferenciavam dos gorilas armados. Que horror! Sem cabelos nos descobríamos parecidos com os militares! Mas que fazer a não ser ceder diante dos argumentos armados? Só um de nós, um alemão, resolveu peitar os militares gregos dizendo que não levava contrabando, que seu passaporte estava válido, e que exigia falar com a embaixada de seu país em Atenas.

Neste meio tempo, enquanto o alemão continuava o bate boca com os militares, nós, já carecas, vimos nossos passaportes carimbados e partimos humilhados rumo às praias e ilhas onde os deuses do Olimpo zelariam por nossas almas ultrajadas.

Nunca mais encontramos o alemão, que talvez tenha esperado muitas décadas até que as cabeças gregas, e turcas, tenham se aberto ou a dele se aliviado das longas melenas louras.

1535655_805071926174915_1005761439_nQuem é o entrevistado: 

Tito Rosemberg, 67 anos, jornalista, fotógrafo e documentarista é também um curioso incorrigível. Adora aventuras! Foi surfista por quarenta anos. Admite que é viciado em viajar e por isso trabalhou e viveu fora do Brasil por 26 anos, e em cem países, mas voltou atraído pelas belezas da Pipa, onde mora. Fascinado pela cidadania, é hoje o presidente do Núcleo Ecológico da Pipa (NEP), se metendo em mais confusões do que gostaria (segundo ele!). Seu esporte favorito é ter esperança de que o Brasil tem jeito!

Para um perfil mais detalhado de Tito, clique aqui.

 

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Engenheira por formação, fez doutorado em Madrid onde começou sua paixão pela Europa. Aprendeu, com seus pais, desde criança a gostar de viajar. Adora viajar e diz que "sem viajar não me reconheço"! Escreve sobre suas viagens pelo mundo afora de forma divertida e leve. Escritora por hobby, além desse blog tem dois livros de viagens publicados.

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