Site com dicas de viagens.

Califórnia Dreams: Napa Valley

Avalie esta postagem

Califórnia Dreams (Um vôo pelo Napa Valley)

 No ar, na terra… a viagem!

No começo achei que seria um saco encarar sete horas de voo na classe econômica, apertadinho, e tendo que pagar até pelo sanduíche,  que com certeza não seria lá essas coisas… Mas, pensando bem, era melhor ir pro Napa Valle do que pra Miami (era uma outra possibilidade aventada, porque era mais perto). Que danado eu iria fazer em Miami, fora o lance de ficar com Marcel um fim de semana (quase uma despedida de solteiro com a mama aqui)? Então, pensei: “vamos lá, rumo a tão bem falada região dos vinhos americanos, californianos”!

Sempre tive vontade de conhecer a Califórnia. Ainda não foi desta vez porque, na verdade, conheci apenas um pedacinho da Califórnia, especificamente as vinícolas do Napa Valley, ou melhor dizendo, algumas vinícolas, pois são mais de trezentas, nesse pequeno pedaço de terra que é esse vale.

Bom, mas eu adoro vinho, e até então só tinha conhecido a vinícola Concha y Toro no Chile (Depois do Napa estive em algumas vinícolas na França na região de Languedoc-Roussillon e em Bordeaux). Mas, voltando aos EUA… Aí, “casando a fome com a vontade de comer”, Marcel propõe essa viagem (já que ele estava com grandes chances de se mudar pra San Francisco, para o Google de Mountain View).

Pra completar, Cabeto, meu primo-irmão, me diz um dia na praia de Cutuvelo, num almoço da família: “Eu vou em maio pra lá, e vou andar (voar, né?) de balão”! Prontamente eu disse “vou também”, e começou uma confusão-brincadeira, cada um dizendo que iria primeiro, etc. e tal.

 Eis que chega a hora de embarcar na tal viagem. Quinta-feira, quatro de fevereiro, cinco da tarde em NYC, sai nosso voo rumo a San Francisco. De lá, iríamos alugar um carro e ir pra Napa, em mais uma hora de estrada.

O voo, pra minha surpresa, foi tranqüilo. Era apertado, era comidinha de avião (e paga), fomos no meio (detesto!) com um dorminhoco do meu lado, e Marcel do outro… Tinha tudo pra ser chato, mas não foi. Era possível usar a internet, e logo assim as horas passaram mais rápidas. E, “e-conversando” com Mario Ivo, my brother, e com Laura, minha ex-cunhada (existe ex-cunhada?) fui indo… Tomei uns whiskies, e quando percebi, estávamos chegando.

Debaixo de chuva, com o carro alugado (segundo Marcel um carro de “plástico”, mas pra mim tava ótimo, era um “Rio” da Kia) pegamos a estrada e chegamos no hotel lá pelas onze da noite (hora de lá).

Nosso primeiro dia em Napa

Dormimos e ao acordar fomos direto conversar com Juliette, a “concierge”. Ela nos indicou um lugar pra tomar café onde se pegava também cesta de piquenique pra levar pras vinícolas….

Em dúvida, se íamos visitar as vinícolas com nosso carro ou não, optamos por contratar um motorista com seu próprio carro (já havíamos decidido antes que não queríamos aquele tour de turistas, não!), pois assim podíamos beber vinho à vontade (ôps!).

Fomos ao tal Diner tomar nosso breakfeast americano, e pedi uns tais ovos rancheiros, que nada mais eram do que nossos ovos caipiras, mas deu vontade de pedir porque achei o nome muito sugestivo. Coisas de mulher, ou coisas de Ana Célia. Depois, pegamos nossa “cesta de picnic” que me decepcionou, porque pensei que seria uma cesta mesmo, mas eram apenas sanduíches e alguns complementos numa caixa de papel.

Voltamos pro hotel, que ficava a menos de dois quarteirões, e fomos ver se nosso motorista havia chegado…

O Passeio às Vinícolas (e nossa driver!)…

E, eis que… Surpresa! Nem conto! O motorista era uma motorista chiquerésima, num carro chiquerésimo e parecia de tão elegante com minha amiga Regina. Ah, essa ela precisa saber! Uma dama, a motorista (Regina também)! Logo, eu e Marcel apelidamos a nossa motorista de “Regina”. Lá pras tantas, eu disse à Ona (era seu real nome) que ela se parecia com Regina, e ela disse que gostaria de conhecer, um dia, essa “irmã dela”!

Havíamos escolhido visitar duas vinícolas, pois estavam na lista dada por amigos de Marcel e também no livro do hotel (vi as fotos e adorei!). Claro que no meio de mais de trezentas fica difícil decidir para qual ir, mas preferimos ir a poucas do que sair num “tour turístico” em que só quantidade conta. Fomos primeiro para a Beringer.

No caminho “Regina” ia nos explicando coisas sobre o Napa, “apontando” as vinícolas pelas quais passávamos que ficavam a beira da estrada, e assim fomos. Uns cinqüenta minutos depois chegamos. No caminho passamos por diversas cidadezinhas, sendo que uma delas me chamou mais a atenção: ”Santa Helena”, cidadezinha pequena (como todas), mas muito charmosa, me lembrou um pouco Annapolis, onde Marcel havia morado antes.

No meio do caminho vimos a vinícola de Francis Ford Coppola, a Rubicon (hoje em dia não é mais dele), e também a Mondave, a maior da Califórnia e responsável por difundir e popularizar o vinho do Napa Valley no mundo.

 Na Beringer, “Regina” nos deixou na recepção e disse que estaria nos esperando lá fora (em meia hora voltaria, mas se precisássemos dela antes podíamos chamá-la por telefone). Optamos pelo “tour família” que era menorzinho, de apenas meia hora e tinha uma degustação de três vinhos. Juliette havia dito que não deixássemos de provar a degustação especial, pois eram os melhores vinhos, então decidimos fazê-la também após o mini-tour na vinícola.

Nosso guia, um senhor muito simpático e conversador, levou consigo os vinhos da degustação do tour, os quais íamos provando na medida em que “passeávamos” pela vinícola e ele nos explicava tudo. A Beringer foi fundada por dois irmãos alemães, em 1876.

Terminado o tour, fomos na casa principal, linda, enorme e de estilo alemão, para começar nosso ritual de degustação dos vinhos nobres. Eram quatro vinhos, todos excelentes, em especial um chardonnay. Um deles, um tinto, havia ganhado o prêmio de melhor vinho em 2009.

Degustamos esses vinhos sentados na enorme varanda da casa e admirando o verde lá fora. Estava um dia de sol belo, contrariando as expectativas dos metereologistas.

Na Beringer 

No meio dessa degustação, chega “Regina” pra nos avisar que já estava de volta, e que havia marcado uma terceira vinícola (para irmos antes da segunda escolhida por nós). Nos disse que nessa poderíamos almoçar nossa cesta de “picnic” e que lá seriamos recebidos pelos donos.

 No caminho para essa nova vinícola (Kelham) perguntamos a ela se lá não tinha almoço (em vez de nosso picnic, poderíamos provar uma iguaria local), mas ela disse que não, só quando se agendava na véspera. Chegamos na Kelham e percebemos que foi uma grande idéia essa de “Regina” nos levar lá.

Era um pequena vinícola, ao contrário das que escolhemos, mas tinha um ar de lar, um charme especial. Fomos recebidos na própria casa dos donos, pela dona (uma senhora simpática e elegante), seus dois filhos (um deles nos apresentou a degustação) e seus cachorros lindíssimos (e olhe que não gosto de bichos, mas os cachorros eram realmente encantadores e educados, não ficavam enchendo o saco das visitas não! Aliás, os cachorros que conheci aqui nos EUA são bem educados, diferentes dos que conheço no Brasil que pulam em cima d’a gente, um saco!).

Os vinhos eram ótimos (degustamos seis deles enquanto comíamos nossos sanduíches da “cesta”), o clima encantador, a vista maravilhosa (da mesa víamos as videiras), a casa acolhedora e bonita, enfim… Perfeito. Boa escolha a de “Regina”! Depois vimos na internet que essa vinícola era muito bem conceituada. Vale à pena!

Em seguida, depois de (quantas degustações?) vários vinhos, fomos para a Joseph Phelps. Lá tem-se que provar o vinho Insignia (e nós o provamos, claro). Uma beleza de vinícola, mas acho que aproveitei pouco, porque já era vinho demais, e eu já não entendia ou não sentia direito os sabores. Mas sei que eram ótimos! Aliás, foi tudo muito bom. E, no final, ficamos sentados na varanda vendo o pôr-do-sol através dos vinhedos… Beautiful!

“Regina” foi dez, e mereceu gorjeta (gorjeta aqui na América é quase uma obrigação). Nos despedimos e fomos dormir, nos preparando pra voar no balão no dia seguinte cedinho.

Em Domaine Carneros

Dia 2 no Napa Valley

A moça da recepção avisou que se o tempo ficasse ruim eles nos ligariam as cinco da matina avisando que não teria balão. Depois de um dia de sol total, fiquei otimista e achei que tudo daria certo. Mas, acordo de madrugada e vejo que tá chovendo. Droga! Ainda assim tive esperanças. Mas que nada! As cinco o telefone toca pra nos dizer que estava cancelado nosso tão esperado vôo. Fiquei chateada, mas…

Escrevi um email pra Cabeto dizendo que não tinha dado certo, e ele respondeu dizendo que ele é que iria fazer essa viagem primeiro. Eu ainda disse: “cuidado que amanhã pode fazer sol…”

Com chuva, pegamos nosso carrinho e fomos até a vinícola Domaine Carneiros indicada na véspera por “Regina”. Aproveitei e usei minhas botas de chuvas “lilás”, fashion total, compradas em Veneza (a última vez que fui lá, em novembro de 2009, a Piazza San Marco estava inundada), combinado com meu casaco! Lá embaixo a recepcionista disse: “ I love your boots”! Sei, e eu também, oras! … e a minha amiga Ana Lúcia que adora essa cor…

Domaine Carneiros é uma grande vinícola, talvez até maior que as duas que visitamos no primeiro dia. Imponente à primeira vista, não nos decepcionou. Muito organizada, a degustação ficava numa sala, tipo restaurante, onde se podia degustar os vinhos acompanhados de queijos variados e caviar. Escolhemos uma das degustações, a qual continha quatro vinhos, sendo dois “espumantes” (sparklings wines). Delícia!

Domaine Carneros

Sentados numa mesa perto da janela de vidro, tomamos os vinhos com queijos e caviar (chique, né?) apreciando a paisagem lá fora, que mesmo com uma chuva fina, parecia deslumbrante. Olga, a nossa garçonete, era russa, e foi logo nos avisando: “não comam o caviar misturado com esse cream cheese não”! Lógico que não, isso é coisa de americano, argh!

Voltamos e fomos até Santa Helena, aquela cidadezinha que achamos charmosa. Caminhamos por lá, tomamos um café e uma sobremesa (ou vice-versa) e fomos descansar um pouco no hotel para jantar a seguir num restaurante francês, Àngele, também indicado por “Regina”. O Àngele estava lotado, e apesar de termos feito reserva tivemos que esperar uns minutos. O jantar, acompanhado de um vinho californiano, estava ótimo!

A chuva havia parado, mas ainda havia nuvens. No jantar conversamos sobre a possibilidade remota do balão para o dia seguinte, domingo. Ficamos na dúvida se remarcávamos ou não, porque nosso vôo de volta pra NYC seria às duas e vinte da tarde, e o retorno ao hotel depois do balão, seria em torno das onze da manhã. Ficamos meio apreensivos, mas resolvemos agendar. Afinal, as chances de fazer sol eram poucas…

Mas, tem um ditado que diz: “Cuidado com o que você vai pedir que poderá conseguir”! Bem, não choveu. O tempo “abriu” e lá fomos nos voar no balão! Magnífico! Essa parte contarei depois…

Avalie esta postagem


Engenheira por formação, fez doutorado em Madrid onde começou sua paixão pela Europa. Aprendeu, com seus pais, desde criança a gostar de viajar. Adora viajar e diz que "sem viajar não me reconheço"! Escreve sobre suas viagens pelo mundo afora de forma divertida e leve. Escritora por hobby, além desse blog tem dois livros de viagens publicados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Carregando...
%d blogueiros gostam disto: