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Em Búzios/RN: Prisioneira por Escolha!

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A Prisão

Em Janeiro de 2011, fui para a praia pretendendo ficar quatro semanas. Não levei meu carro de propósito. Não queria sair de lá. Estava presa por minha própria vontade, em frente ao mar, avistando o azul, as ondas e ouvindo o barulho delas. Da minha cama via o mar. E a praia. Privilégio de prisão!

Ficamos em Búzios, ou fim de Pirambúzios, sei lá… Na Pousada Cocoa, bem legal, já que pegamos a suíte principal, com uma varanda super e uma vista espetacular!

Mas, não podeira ir à Natal a não ser de carona. Ou com my husband pela manhã cedinho, e ficar dependente dele pra só voltar depois das 6 da tarde. Como o trânsito é péssimo, só se chegava na praia de de volta, depois das 7 de la noche, ou mais. Fui apenas uma vez porque tinha um médico marcado, daqueles que não se pode desmarcar…

By the way, levei minha bike, embora que dentro do limite da prisão, não ia até Natal, no máximo ia até Pium. E tinha meus pés, que por seus próprios limites saiam de Búzios (ou Pirambúzios) e iam até o fim de Búzios para um lado ou até Pirangi do Norte para o outro. E, já era muito.

O que fui fazer…

Fui com alguns propósitos. Escrever, era um deles. Não sabia se um livro ou escritos pro meu blog que ficava um tanto abandonado, porque não sou de escrever diariamente (chega de mais obrigações). Mas, tinha um monte de idéias pra escrever e um monte de dúvidas também.

Sentar pra escrever, tipo uma obrigação, não funciona. Então, comecei a ficar meio agoniada, mas, sempre me fazendo de doida e tentando fazer funcionar meus planos. Adaptei-os um pouco e segui na praia, sem carro.

A vista da minha varanda, onde também escrevia…

Caminhar e pedalar eram outros dos meus propósitos. Mas, isso começou a se tornar uma obrigação e comecei a me ver presa também a essas caminhadas e pedaladas. Não é nada fácil manter a forma física, estética e com o padrão de saúde, cobrada pela sociedade e pela vida. Ufa!

Na primeira semana não me senti de férias. Me senti obrigada a escrever, seja lá o que fosse (e desisti logo dessa loucura). Além de tentar também desistir (ou pelo menos “maneirar”) de outras obrigações planejadas como caminhar pelo menos uma hora por dia e pedalar pelo menos três vezes na semana. Pedalei e caminhei, mas não com a rigidez planejada.  O pedal era num calor horrível e com um trânsito “mais ou menos”. Nessa nossa cidade e arredores, poucos respeitam bikes. Eu tinha que escolher: o calor com pouco trânsito ou o trânsito com pouco calor. Ufa! Tava mesmo presa!

Depois de dez dias nessa prisão-paraíso, comecei a relaxar mais, senti pela primeira vez prazer em pedalar. Consegui curtir as paisagens, consegui escrever histórias na minha mente, consegui curtir o pedal, etc. e tal…

Outro dia também caminhei numa boa. Apenas caminhei e, nesse relax, consegui escrever mais um pouco de histórias na minha mente, e curtir a praia com seus sons naturais e suas paisagens. Olhos e ouvidos atentos e desatentos, às vezes, pra escrever na minha “cabeça”… O vôo da liberdade, enfim. Saí de lá, fiquei lá.

Em alguns fins de semana meu filho mais velho e nora iam pra lá, e íamos também na casa de veraneio de meu brother João, em Pirambúzios, ali por perto… E, assim o tempo passava entre diversão, pedaladas, caminhadas e “escritos”…

Do jardim da casa de meu brother, “ao cair a tarde”…

E, porque aquilo era uma prisão?

Bom, mas ainda não contei porque chamei essa beleza toda de prisão. São muitas coisas. Mas, todas tem suas interligações. Detesto ficar parada muito tempo no mesmo lugar. Detesto rotina.

Mas, sinto uma enorme necessidade de ser mais disciplinada, menos “voadora” em todos os sentidos. Quero sempre sair do lugar onde estou. Também cansa sair sempre. Quero ficar um pouco.

Quando eu era adolescente, nos veraneios em Pirangi, meu pai me obrigava a descansar depois do almoço. Era horrível ter que ficar ali parada com o mundo se movimentando. Eu precisava me movimentar a toda hora.

Depois, quando já tinha meus filhos, veraneei alguns anos em Santa Rita. Como lá as coisas eram meio paradas, ficava meio louca e pegava o “Buggy” e ia pra Natal de vez em quando, fazer nada, simplesmente pra sair um pouco do lugar. Odiava dirigir o buggy, e como só levávamos esse carro, me sentia presa. Mas, presa contra a minha vontade.

Voltei a veranear em Pirangi, anos depois, com meus filhos adolescentes, divorciada. Aí, como já mandava no meu próprio nariz, resolvi não tirar férias no mês de janeiro. Caminhava cedo, tomava uns banhos de mar e ia pra Natal trabalhar.

Voltava mais tarde, curtia os meninos… Aliás, curtia com os meninos pois a essas alturas eles já saiam por aí como gente grande. Como sempre gostei de sair com eles, e acho que eles também gostavam da minha companhia, íamos todos juntos pra farra, até a hora que eles se juntavam às suas galeras e eu à minha. Livre! Se era prisão, era assumida, escolhida, e ficava feliz assim.

Outro dia tive que me submeter à umas sessões de acupuntura.  Digo, “tive” porque foi a última alternativa que me restou, por umas dores nas costas aparentemente relacionadas a problemas gástricos. Depois de idas a vários médicos e feitos vários exames (RPG incluído nessa odisseia), meu filho Marcel, que é acelerado igual a mim, resolveu me dar um conselho: “mamãe vá fazer ioga, meditação, qualquer coisa que lhe relaxe”, e eu disse que não aguentaria nem dez segundos, pois já tinha tentado fazer meditação mil vezes e não “passava do joelho”…

Ele continuou com suas sugestões, pois havia passado por algo parecido, e disse que pelo menos eu fosse fazer acupuntura.  Falei com minha “guru” do RPG e ela me indicou um “cara”.  Muito bom, mas eu detestava ficar parada 40 minutos numa posição e mais 40 noutra. Quase piro por dois meses e meio. Mas, fiquei boazinha das dores e dos problemas gástricos.

Me lembrei que também havia tentado fazer umas sessões estéticas de um negócio que aparentava emagrecer. Tinha que ficar deitada uns 50 minutos, parada. Tá louco? Pedi a esteticista pra ficar lá conversando comigo. Fiz só uma vez. Tou fora!

Ai meu Deus, não consigo ficar parada. Tenho que sair por aí, nem que seja em pensamento!

Por isso me prendi lá na praia, pra não sair por aí, mesmo não tendo nada pra fazer e aprender a fazer nada, a não ser fazer em pensamento. Tava começando a aprender. Ah, e nessa época pensei em fazer tai chi chuan (é assim que se escreve?). Mas, só pensei…

Quanto aos “escritos”, até que deu certo!  Escrevi algumas coisitas… A beleza do lugar, minhas andanças e pedaladas, bem que ajudaram!

Cheers. Da minha “prisão” rsrss

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Engenheira por formação, fez doutorado em Madrid onde começou sua paixão pela Europa. Aprendeu, com seus pais, desde criança a gostar de viajar. Adora viajar e diz que "sem viajar não me reconheço"! Escreve sobre suas viagens pelo mundo afora de forma divertida e leve. Escritora por hobby, além desse blog tem dois livros de viagens publicados.

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