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Orient Express: A Viagem dos Sonhos (1)

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 INTRODUZINDO…

Lá pelos meus treze ou catorze anos li o livro “Assassinato no Expresso Oriente” de Agatha Christie. Aliás, naquela época, acho que li todos os livros de Agatha, aqueles com Hercule Poirot (meus preferidos) e também os com Miss Marple.

Acho que essa era a capa original, do que li…

Realmente, eu era uma leitora voraz (ainda sou, só que muito menos…). Lia desde os livros obrigatórios das escolas, até aqueles que eu escolhia por vontade própria, fossem os que encontrava na estante de livros da minha mãe ou os que comprava nas livrarias, ou ainda aqueles que encontrava nas bibliotecas da época… Temas variados. Dos romances ao terror de Allan Poe. Autores clássicos, autores contemporâneos, enfim, de tudo um pouco, ou de poucos, muitos! Bom, mas isso não vem ao caso.

O caso é que, depois que li o tal livro do Expresso Oriente, fiquei querendo viajar no trem. Assassinatos à parte, eu me fixei no trem. E, por anos a fio, me imaginava viajando nele. Essa imagem me perseguiu por muito tempo, mas sempre esbarrava no preço da tal viagem. Mesmo sem pesquisar a fundo, ouvia falar que era uma viagem caríssima. Mas, como sou teimosa, nunca desisti do tal sonho.

Como dizem que “a ocasião faz o ladrão”, no meu caso, a ocasião realizou minha imaginação, minha aspiração ou minha ilusão! Começamos a preparar a viagem de um importante aniversário de San, que seria em agosto do ano de 2010. Então eu disse: “Que tal passar seu niver tomando whisky nacional?”. Aceita a proposta, comecei a engrandecê-la incluindo o Orient Express! Oras, se era uma data importante, porque não comemorá-la em grande estilo?

Aí, tudo começou… E começamos a viajar nesse plano até a realização do mesmo.

Iniciamos nossa viagem por Edinburgh na Escócia. Aliás, por um “erro” da TAP, iniciamos em Lisboa. Mas, depois fomos para Edinburgh, onde comemoramos o niver de San com “whisky nacional”, conforme prometido. De lá fomos pra Londres, e na Victoria Station pegamos o famoso trem Orient Express rumo a Veneza. E, depois fomos pra Roma, nossa última parada, antes de voltar ao Brasil. Mas, aqui, vamos falar apenas da viagem no Oriente Express!

O Trem VSOE. Fonte: site oficial.

O TREM ORIENT EXPRESS

A primeira coisa que todos perguntam é: “Se o nome do trem é Orient, porque ele vai de Londres até Veneza (ou vice versa) e não vai pelo Oriente?”… Bom, vamos lá as explicações, ou seja, um pouco de história.

Realmente no seu ápice, o famoso trem ligava Paris à Constantinopla (hoje Istambul). Desde a sua inauguração em 1883 até hoje, a sua rota foi alterada muitas vezes, por logística ou questões políticas.

Considerado um dos trens mais luxuosos do mundo, viajava com passageiros burgueses milionários, artistas, políticos e até membros da aristocracia europeia. O apogeu do Trem ocorreu na década de 30. Entretanto, desde a Segunda Guerra que o trem começou seu declínio. Em 1962 a rota original do Expresso do Oriente foi colocada fora de circulação, deixando apenas o Simplon Orient Express que também foi substituído, no mesmo ano, por um serviço mais lento, chamado Direct Orient Express. Em 1977 o Direct saiu também de circulação, tendo sido sua última viagem de Paris a Istambul em maio do referido ano.

De toda forma, o Expresso do Oriente teve seu período de grande fama, e, sabendo disso, em 1982, o empresário inglês James Sherwood inaugurou o serviço Venice-Simplon Orient Express (VSOE). Após comprar e renovar vários vagões Pullman das décadas de 20 e 30, hoje opera a rota entre Londres e Veneza.

A Rota...

A partir de Veneza (ou de Londres) o lendário Simplon-Orient-Express (hoje VSOE), e outros trens da mesma companhia (Orient-Express) atuam no Reino Unido, e incluem partidas especiais em todo o mundo, como desde o Andes no Peru ao sudeste da Ásia (Orient Express Journeys). Podem ser viagens maiores ou até viagens de apenas um dia ou somente um jantar para celebrar algo especial, a vida a bordo é memorável. A empresa atualmente também é proprietária de vários hotéis de luxo no mundo inteiro como o Copacabana Palace no Brasil e o famoso Cipriani em Veneza (Orient Express).

Quanto a nossa viagem no VSOE, acho que sua propaganda faz juz ao que ele representa: “Emoção, romance e puro prazer, é o que se tem em viagens que ligam as grandes cidades europeias. As aventuras de célebres personalidades históricas ainda são palpáveis hoje, nas originais carruagens dos anos 20 recuperadas, com seus painéis de vidro Lalique, fogões a lenha e marchetaria Art Deco”.

E O COMEÇO DA VIAGEM NO ORIENT-EXPRESS (Dos preparativos à estação em Londres)…

A viagem toda foi uma onda, desde os preparativos. Tivemos que escolher (ou comprar) roupas “chiques” pra usar no trem. A do jantar, que era a principal, mas também as que usaríamos durante o dia. Sobre o dress code tem uma rigidez num ponto: jeans e t-shirts, jamais! E, no jantar, os homens devem ir no mínimo de terno escuro com gravata (a maioria vai de black tie) e as mulheres em traje de coquetel. No mais, estar bem vestida, sem precisar de muita formalidade, está muito bem. Vale um smart casual, como dizem…

Apesar do dress code, vi umas “marmotas”. Muitas mulheres super finas e elegantes, mas em compensação, tinham outras que nem dá pra falar…. Bom, gosto não se discute, né? Quanto aos homens, sempre é mais fácil, basta um terno legal e a aparência fica ótima! By the way, tinha um casal totalmente “over” e ninguém falou nada. Apesar da “proibição” do jeans e camiseta, o casal usou o “proibido” logo na entrada, enfim…

Deixando de lado as “fofocas”, vamos ao nosso sonho, ou a realização dele.

Saímos de nosso B&B em Londres, totalmente vestidos “para matar” (parodiando o filme homônimo, e pensando no livro de Agatha). “Embecados”, como dizem, tomamos nosso breakfast, e lá mesmo na sala, uma inglesa elogiou meus sapatos! Look thatbrazilian shoes! E ainda chamou as coleguinhas para verem! Fiquei meio encabulada, mas adorei, of course!

A Estação Vitória, de onde partiria o famoso trem, estava a menos de dez minutos a pé de nosso hotel, e lá fomos nós puxando as malas. Só pra dar umas boas risadas: elegantes e literalmente puxando malas!

Lá chegando, nos dirigimos pra sala VIP do Orient Express (que tínhamos visitado na véspera, pra não haver erro). Ah, mas antes sentei num banco da estação e  troquei meus sapatos, porque não dava pra ir a pé de salto…

Na Sala do Orient Express, na Victoria Station, Londres.

Na sala já havia um monte de gente, e uma pequena fila. Fizemos o check-in, e uma mulher muito “alinhada”, ao meu lado, entregou um vestido assinado por Stela McCartney… Hummmm… Todos entregavam seus vestidos “de noite” ou seus ternos, para serem guardados e levados diretamente às nossas cabines, junto com pequenas malas com o essencial para os dois dias de viagem. As malas maiores iriam direto pra o vagão de bagagens e não teríamos acesso às mesmas até chegarmos em Veneza.

Ficamos um pouco por ali, tomamos um café, tiramos fotos, admiramos o vai-e-vem das pessoas… E, de repente chega o trem! Uau! Nosso primeiro trem, o British Pullman (pois o VSOE  estaria nos esperando em Calais, apos a travessia do Canal da Mancha).

Na plataforma, San em frente ao vagão Zena, do Britsh Pullman (construído em 1928 e usado no filme “Agatha” sobre Agatha Christie, de 1976)

Fotos e mais fotos, e eis que chega a hora de embarcarmos. Pela plataforma, caminhávamos como se fôssemos para um paraíso. Enfim, era isso que esperávamos dessa viagem!

Na entrada de nosso vagão: Vera (construído em 1932). Em homenagem a minha amiga Vera? Hehehe!

No próximo texto (o nº 2) contarei mais sobre essa viagem tão sonhada!

Dentro do trem! Vejam os detalhes em madeira. Lindo!

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Engenheira por formação, fez doutorado em Madrid onde começou sua paixão pela Europa. Aprendeu, com seus pais, desde criança a gostar de viajar. Adora viajar e diz que "sem viajar não me reconheço"! Escreve sobre suas viagens pelo mundo afora de forma divertida e leve. Escritora por hobby, além desse blog tem dois livros de viagens publicados.

Comentário para Orient Express: A Viagem dos Sonhos (1)

  • Pingback: Veneza: Aventuras Engraçadas e Romanceadas (2) | Ana no Mundo

  • Ana, que delicia ler esse post!
    Eu tb tenho esse sonho e pelo mesmo motivo, li muitos livros da Agatha Christie qdo adolescente, e meu favorito era o Orient Express.
    Agora vc me deu mais um incentivo pra tentar realizar essa viagem!
    Um grande abraço!

    Katia 17 de dezembro de 2015 1:41 Responder
    • Que legal Katia! Espero que vá também e depois me conte . Bjs

      Ana Célia 28 de dezembro de 2015 18:08 Responder

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